EUA planejam reduzir número de funcionários na embaixada do Iraque

Americanos estão frustrados com objeções e são incapazes de interagir com iraquianos para justificar os US$ 6 bi de investimento

iG São Paulo |

Menos de dois meses depois que os últimos soldados americanos deixaram o Iraque , o Departamento de Estado está se preparando para cortar em até pela metade a enorme presença diplomática que havia planejado estabelecer no país, um sinal claro do declínio da influência dos Estados Unidos no país.

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AFP
Premiê iraquiano discursa durante cerimônia para proclamar o 'Dia do Iraque', marcando fim do pacto que permitia a presença de soldados dos EUA no país (31/12/2011)

Oficiais em Bagdá e Washington disseram que o embaixador James F. Jeffrey e outros oficiais de alto escalão do Departamento de Estado estão reconsiderando o tamanho e o escopo da embaixada, na qual o número de funcionários chegou a quase 16 mil, na sua maioria terceirizados.

A extensa operação diplomática e o prédio da embaixada, que custou cerca de US$ 750 milhões para ser construído e seria o maior de seu tipo no mundo, eram tratados como necessários para ajudar um Iraque pós-guerra a alcançar estabilidade em seu caminho para a democracia e a voltar à normalidade.

Mas os americanos estão frustrados com as obstruções colocadas em prática pelo Iraque e agora atuam em grande parte confinados dentro da embaixada por temer por sua própria segurança, incapazes de interagir o suficiente com a população iraquiana para justificar os US$ 6 bilhões investidos atualmente.

Michael W. McClellan, porta-voz da embaixada, afirmou em um comunicado: "Durante o ano passado e já nesse ano, o Departamento de Estado e a Embaixada de Bagdá consideraram maneiras de reduzir adequadamente o tamanho da missão dos Estados Unidos no Iraque, principalmente em diminuir o número de funcionários terceirizados necessários para ajudar com as operações da embaixada."

Alguns oficiais diplomáticos perceberam que o alto custo da embaixada pode ter sido resultado de um planejamento equivocado e representa um marco notável para o Departamento de Estado, já que os oficiais gastaram mais de um ano planejando a expansão da embaixada e enviaram a maioria dos funcionários terceiros para o local há pouco tempo.

"Nós sempre soubemos que o que eles estavam planejando fazer não fazia muito sentido", disse Kenneth M. Pollack, do Centro Saban para Política do Oriente Médio do Instituto Brookings. "Está cada vez mais claro que eles estão com um número excessivo de funcionários para o que realmente estão fazendo na prática."

Oficiais americanos acreditavam que as autoridades iraquianas iriam cooperar muito mais do que fizeram para ajudar a suavizar a transição de uma operação militar para uma missão diplomática liderada por civis americanos. A expansão acabou despertando nos ministérios do governo iraquiano o interesse em exercer a sua soberania, depois de quase nove anos de guerra e ocupação .

As considerações para reduzir o número de funcionários na embaixada, segundo autoridades americanas, reflete uma crença de que uma presença diplomática menor pode obter mais resultados na hora de influenciar assuntos iraquianos, particularmente na mediação de uma crise política que ocorreu logo após a retirada das tropas.

Por Tim Arango

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