EUA: Jatos particulares aquecem motores da campanha presidencial

Para manter candidatos e equipes na estrada de forma eficiente, maioria dos comitês contrata empresas de aluguel de jatinhos

The New York Times |

Agora que o presidente americano, Barack Obama, anunciou sua candidatura à reeleição, quase pode-se ouvir os motores dos jatos se aquecendo para a mais brutal de todas as viagens de negócios: a campanha presidencial americana.

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Anúncio de Obama sobre reeleição deu início à disputa entre democratas e republicanos para 2012
Depois que uma grande campanha começa, nenhum dos candidatos é visto nos aeroportos americanos. Entram em jogo os jatos particulares. Para manter os candidatos e sua equipe na estrada de forma eficiente, a maioria dos comitês contrata empresas de aluguel de jatos para fornecer e gerenciar seus voos.

"Essa ainda é a calma antes da tempestade, mas há algumas empresas de táxi aéreo que já estão se preparando", disse Marc Ramthun, gerente de operações da CSI Campaign Travel Services, que forneceu jatos particulares tripulados para a campanha de John McCain e Sarah Palin em 2008, bem como aos candidatos George W. Bush, Bob Dole e Michael Dukakis antes deles.

Embora o ritmo louco não tenha começado totalmente, potenciais candidatos já estão em movimento. "Nós temos alguns que já estão fazendo três ou quatro percursos conosco – não todos os dias, mas está acontecendo", disse Ramthun.

"As coisas vão começar a esquentar muito em breve", disse Philip Mathews, presidente da Air Partner, uma empresa de táxi aéreo.

Com acesso a mais de 5 mil aeroportos em todo o país, os jatos particulares são uma parte crucial da campanha nacional, dado que mesmo em uma eleição primária o candidato geralmente precisa fazer várias paradas em um dia – muitas vezes em lugares distantes de grandes aeroportos. E, conforme um candidato finalmente seja escolhido nas convenções partidárias, os comitês montam pequenas frotas de jatos particulares lideradas por uma aeronave de grande porte para o candidato e sua equipe. "O candidato escolhido geralmente é transportado em um jato particular de grande porte, como um 737 ou um 757", disse Matthews.

Agenda

Para os candidatos e suas equipes, as programações são difíceis no começo, depois pioram durante a cansativa fase das primárias e, finalmente, se tornam simplesmente desumanas com a chegada das eleições gerais. Ramthun, que controlou as operações diárias dos voos fretados para a campanha de McCain nas últimas eleições, explicou a a rotina de um dia: "Oito e quinze da manhã, de Phoenix para o Grand Canyon para filmar um comercial, então partem às 11h de Victorville, Califórnia, para encontrar pessoas em uma fábrica de aviação. Depois disso, seguem às 15h para Ontário, Califórnia, para uma reunião e arrecadação de fundos, e de lá, às 19h30 para San Jose para entrevistas e reuniões locais”. Conforme a eleição se aproxima, esse ritmo torna-se ainda mais intenso, segundo ele.

Não tente agendar tudo isso na aviação comercial, a menos que queira perder a disputa. Sem um jato particular, pode levar meia semana para completar o itinerário de um dia de campanha.

Nessa fase da disputa, com exceção do presidente, qualquer candidato com bastante influência é capaz de conseguir caronas em jatos particulares pertencentes a apoiadores, disse Ramthun.

Uma vez que uma candidatura se torna oficial durante a temporada de primárias, e a necessidade de viajar fica maior, as campanhas começam geralmente com pequenos aviões fretados, “como um Lear 35 ou um Citation II”, disse. Quando a campanha se torna completamente nacional é que entra o peso pesado. Após as convenções, os candidatos frequentemente alugam um avião de grande porte e outros menores para sua equipe, partidários e profissionais da mídia. Normalmente os fornecedores executam serviços de faturamento, como cobrar organizações de notícia pelo transporte dos repórteres que cobrem as campanhas.

O transporte aéreo particular é caro. Durante as primárias, um comitê chega a gastar entre US$ 3 milhões e US $ 5 milhões em voos, segundo Ramthun. Após as convenções, os principais candidatos gastam até US$ 20 milhões em aviões particulares até a data da eleição. As companhias que oferecem o serviço prometem flexibilidade, conveniência e segurança. Mas também discrição.

Em 2008, quando McCain primeiro considerou a então pouco conhecida governadora do Alasca, Sarah Palin, como sua companheira de chapa, "tivemos que ser muito discretos" ao trazê-la do Alasca até o Arizona para sua entrevista inicial, disse Ramthun. Como a maioria dos voos de jatos particulares pode ser facilmente rastreada em sites de operações de voo, muitas vezes as empresas usam itinerários tortuosos ou mudam de aeronaves para despistar os repórteres ou concorrentes políticos. Enquanto isso, nos bastidores, manter uma empresa como essa é "um desafio logístico significativoo", disse Matthews.

A CSI tem um centro de operações em Albuquerque, no Novo México, a Air Partner tem um em Washington, e a maioria dos membros da equipe já trabalhou para candidatos políticos em grandes, disse Mathews.

Então, quando a programação dá errado, as pessoas não entram em pânico? "Não", ele disse. "Essas são pessoas que sabem como levar uma campanha política ao redor do país".

*Por Joe Sharkey

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