EUA: Imigrantes se concentram cada vez mais em subúrbios

Dados de novo censo revelam que cidades grandes deixaram de ser primeira opção para população imigrante no país

The New York Times |

Os imigrantes se espalharam pelos Estados Unidos na última década, estabelecendo-se mais em cidades pequenas e subúrbios do que nas cidades grandes para onde eles normalmente se mudavam quando vinham para o país, revelam os dados de um novo censo.

Em busca de trabalhos nas zonas rurais e suburbanas, em setores como construção civil e produção alimentar, a população imigrante aumentou mais de 60% em lugares onde os imigrantes representavam menos de 5% da população em 2000. Nas áreas pnde havia maior população de imigrantes, a população estrangeira não mudou nesse mesmo período.

O relatório divulgado na terça-feira da semana passada é o que contém mais dados do Census Bureau, com mais de 11 bilhões de estimativas individuais para cada 670 mil localizações geográficas específicas – zonas de até alguns quarteirões.

Mutação

Diferentemente do Censo 2010, que contabilizou todos os americanos, o levantamento conhecido como Pesquisa da Comunidade Americana detalha as características de amostras coletadas em cerca de 1 em cada 10 americanos, entre os anos de 2005 e 2009. Os dados mostram um retrato de uma América em rápida mutação, cuja população de jovens é muito mais diversificada do que a dos mais velhos.

Cerca de 48% dos recém-nascidos no ano passado eram membros de grupos minoritários, em comparação com apenas um quinto das pessoas com mais de 65 anos. A estatística gera questões sobre possíveis tensões entre gerações nos Estados Unidos nas próximas décadas, em particular sobre o custo da educação e da saúde, disse Kenneth Johnson, demógrafo sênior do Instituto Carsey da Universidade de New Hampshire.

Os números também prenunciam uma crescente divisão: as taxas de graduação entre negros e hispânicos – a esmagadora maioria de todos os imigrantes nos Estados Unidos – são muito inferiores às dos brancos. A tendência, portanto, sugere que o país enfrentará uma escassez crescente de americanos educados conforme a competição global se intensifica, principalmente com o aumento do número de graduados em outros países.

Força de trabalho

A dispersão dos imigrantes nos Estados Unidos reflete sua mobilidade na força de trabalho, especialmente por causa do setor imobiliário em expansão na última década.

Os ganhos populacionais foram maiores nas zonas suburbanas do país. Mas ao contrário de décadas passadas, quando os brancos lideraram, o crescimento agora acontece por causa das minorias. Mais de um terço dos 13,3 milhões de novos moradores dos subúrbios eram latinoamericanos, em comparação com 2,5 milhões de negros e 2 milhões de asiáticos. Ao todo, os brancos representaram um quinto do crescimento nos subúrbios.

Mesmo na região rural, onde a população cresceu mais lentamente - apenas 2% desde 2000, em comparação com 7% de todo o país – residentes nascidos no exterior representaram 37% de seu crescimento. Três quartos deles não eram cidadãos americanos, sugerindo que chegaram recentemente nos Estados Unidos.

*Por Tavernise Sabrina e Robert Gebeloff

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