EUA: Imigração é novo marco de disputa de gerações

Americanos mais velhos rejeitam imigrantes nos EUA, enquanto jovens são mais tolerantes; diferença pode atrasar reforma migratória

The New York Times |

Meaghan Patrick, estudante do New College da Flórida, uma faculdade liberal de artes localizada em Sarasota, diz que debater imigração com seus pais é como "bater a cabeça contra a parede". Cathleen McCarthy, aluna da Universidade do Arizona, afirma que a imigração é um assunto tóxico que desata discussões acaloradas entre ela, sua mãe liberal e sua avó.

"Muitos americanos mais velhos se sentem ameaçados pela mudança que a imigração representa", disse McCarthy. "Os jovens de hoje simplesmente foram mais expostos a uma visão mais aceitável e aberta do mundo."

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Andrea Bonvecchio, na Universidade Internacional da Flórida. Após aprovação de lei de imigração do Arizona, aumentou a discordância entre as gerações sobre o assunto

Esqueça sexo, drogas e rock'n'roll, a imigração é o novo marco da diferença de gerações.

Diante da aprovação de uma nova lei que permite que a polícia do Estado de Arizona detenha pessoas suspeitas de entrar no país ilegalmente, os jovens estão demonstrando veemente oposição - liderando, nos últimos dias, protestos no gabinete do senador John McCain em Tucson e no jogo de beisebol entre as equipes Florida Marlins e Arizona Diamondbacks.

Enquanto isso, a geração baby boom (pós 2.ª Guerra), apesar de ter proclamado "viva e deixe viver" na sua juventude, está do lado dos americanos mais velhos e defende a nova legislação do Arizona.

Essa nova divisão tem aparecido em inúmeras pesquisas feitas desde que a medida foi assinada em lei, incluindo uma pesquisa New York Times/CBS News deste mês, que concluiu que os americanos de 45 anos ou mais são mais propensos do que os jovens a dizer que a lei do Arizona está "certa".

Eles também demonstram maior probabilidade de dizer que "ninguém" deve poder entrar no país, ao contrário dos mais jovens que favorecem uma abertura a "todos".

O conflito entre gerações pode complicar as possibilidades de uma reforma da lei imigratória num futuro próximo. "Essa divisão causa ainda mais atrasos", disse Roberto Suro, antigo chefe do Centro de Pesquisas Hispânicas Pew. E as causas são em parte ligadas à experiência.

Demograficamente, americanos mais velhos e mais jovens cresceram em mundos muito diferentes. Aqueles que nasceram depois da era dos direitos civis viveram em um país de taxas elevadas de imigração legal e ilegal. No seu bairro e em suas escolas, a presença dos imigrantes era tão difícil de não ser notada quanto uma loja Starbucks atualmente.

Por outro lado, os americanos do baby boom e os mais velhos - mesmo aqueles que lutaram por integração - cresceram em um dos momentos mais homogêneos da história do país. Essa formação diferente dos jovens e velhos pode criar tensões.

Demógrafos afirmam que existe o potencial de surgir políticas públicas que distanciem os jovens porque os mais velhos são mais propensos ao voto e menos dispostos às perspectivas juvenis - especialmente as perspectivas de jovens de diferentes raças e origens.

Nicole Vespia, de 18 anos, de Selden, NY, afirma que os mais velhos que se preocupam com a possibilidade de os imigrantes roubarem postos de trabalho desistiram do principal ideal americano: a meritocracia capitalista.

''Se alguém trabalha melhor do que eu, essa pessoa merece o trabalho", disse Vespia. "Trabalho em um almoxarifado e os melhores funcionários são pessoas que nem sequer falam inglês. É legal poder conhecê-las."

A geração de seus pais, segundo ela, precisa se adaptar.  ''Meu padrasto diz: 'Por que preciso teclar 1 para ser atendido em inglês?' Acho isso ridículo", disse Vespia, referindo-se às instruções dadas em um telefonema a qualquer central de atendimento atualmente. "Isso não é um grande problema. Apenas tecle 1 e pronto."

*Por Damien Cave

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