EUA garantem a Israel que Irã não terá bomba antes de um ano

Autoridades acreditam que avaliação reduzirá risco de Israel atacar preventivamente instalações nucleares do Irã no próximo ano

The New York Times |

O governo do presidente dos EUA, Barack Obama, citando evidências de contínuos problemas no programa nuclear do Irã, convenceu Israel de que levaria cerca de um ano – e talvez mais – para que o Irã complete o que uma autoridade chamou de “pequena quantidade” (de material atômico) para uma arma nuclear, de acordo com autoridades americanas.

Oficiais do governo disseram acreditar que a avaliação tenha reduzido o risco de que Israel possa atacar preventivamente as instalações nucleares do Irã no próximo ano, como as autoridades israelenses têm sugerido em ameaças veladas.

AP
Presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, visita uma usina de enriquecimento de urânio a 300 quilômetros de Teerã
Durante anos, Israel e autoridades americanas debateram se o Irã está em busca da fabricação de uma bomba nuclear e, em caso afirmativo, quanto tempo levaria para que conseguisse produzir uma.

Uma questão crucial tem sido o tempo que levaria para que Teerã convertesse seus estoques atuais de urânio pobremente enriquecido em material para a fabricação de armas, um processo conhecido como “breakout” (fuga, em tradução livre).

Autoridades de inteligência israelenses alegaram que o Irã poderia concluir sua corrida em busca da bomba em meses, enquanto as agências de inteligência americanas passaram a acreditar no ano passado que o tempo necessário é mais longo.

“Achamos que eles têm cerca de um ano diante de si”, disse Gary Samore, assessor do presidente Barack Obama para questões nucleares, referindo-se a quanto tempo seria necessário para que os iranianos convertessem material nuclear em uma arma funcional. “Um ano é um período muito longo de tempo.”

Samore disse que os Estados Unidos acreditam que inspetores internacionais seriam capazes de detectar um movimento iraniano em direção ao processo de “breakout” em poucas semanas, deixando uma quantidade considerável de tempo para que os Estados Unidos e Israel considerassem um ataque militar.

As avaliações americanas são baseadas em informações colhidas ao longo do ano passado, bem como em relatórios de inspetores internacionais. Agora, oficiais americanos e israelenses acreditam que o processo seja improvável em curto prazo.

Por um lado, o Irã, que afirma estar interessado em enriquecer urânio apenas para fins pacíficos, seria forçado a construir bombas nucleares a partir de uma oferta limitada de material nuclear, atualmente suficiente para duas armas.

Além disso, essa decisão exigiria que expulsassem inspetores internacionais, eliminando qualquer ambiguidade sobre seus planos nucleares. Mesmo se o Irã vier a escolher esse caminho, os oficiais americanos afirmam que o país provavelmente levará algum tempo para reconfigurar as suas instalações nucleares para a produção de urânio para armas e adotar as medidas necessárias para desenvolver uma ogiva nuclear.

Autoridades israelenses afirmam que se observarem uma corrida em busca da bomba em curso, provavelmente tomarão uma ação militar e encorajar os Estados Unidos a participar do esforço. Um porta-voz da embaixada israelense em Washington se recusou a comentar o assunto para esse artigo.

Em entrevistas, autoridades israelenses disseram que suas avaliações estão entrando em sintonia com a visão americana, mas ainda mantêm suspeitas de que o Irã tenha um local secreto de enriquecimento ainda a ser descoberto.

* Por Mark Mazetti e David E. Sanger

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