EUA estudam interceptar carregamentos da Coreia do Norte

WASHINGTON - A gestão Obama deu sinais no domingo de que pretende interceptar, possivelmente com a ajuda da China, os carregamentos marítimos e aéreos da Coreia do Norte que sejam suspeitos de contar armas ou tecnologia nuclear.

The New York Times |

Além disso, a gestão afirmou ainda que está em busca de uma base legal para reverter a decisão do ano passado do presidente Bush de remover o país da lista de Estados que patrocinam o terrorismo.

A referência às interceptações (em portos ou aeroportos de países como a China ou através de confrontos mais diretos em alto mar) foi feita pela secretária de Estado Hillary Rodham Clinton. Ela foi a oficial de mais alto escalão a falar publicamente sobre uma resposta possivelmente provocativa ao segundo teste nuclear da Coreia do Norte, realizado há duas semanas.

Ainda que ela não tenha mencionado especificamente a ajuda da China, outros oficiais têm pressionado Pequim a tomar tais ações de acordo com as próprias leis chinesas.

Falando no programa "This Week" da emissora ABC, Clinton disse que os Estados Unidos temem que se o teste e outras ações recentes da Coreia do Norte não recerem em resposta "ações fortes", há risco de "uma corrida armamentista na Ásia", uma referência discreta à preocupação de que o Japão possa reverter sua longa proibição às armas nucleares.

Até o momento não está claro se os chineses estão dispostos a ajudar os Estados Unidos a interromper o lucrativo comércio de armas da Coreia do Norte, o artigo de exportação mais lucrativo do isolado país.

Mas o foco americano na interceptação demonstra uma nova e potencialmente muito mais dura postura em relação à Coreia do Norte do que os presidentes Bill Clinton e Bush acreditavam necessário quando tentavam sem sucesso chegar a um acordo que levaria o país a abandonar seu arsenal nuclear.

Após examinar evidências inconclusivas sobre os resultados do segundo teste nuclear da Coreia do Norte, a gestão Obama chegou a conclusão de que a prioridade de Pyonyang é seu reconhecimento como um Estado nuclear, que está disposto a negociar para se livrar de suas armas e que vê testes como uma forma de vender sua tecnologia nuclear.

"Isso muda dramaticamente a dinâmica de como iremos lidar com eles", afirmou um assessor sênior para assuntos de segurança nacional. Ainda que Obama esteja disposto a reabrir as negociações de seis países iniciadas por Bush (que inclui Japão, Coreia do Sul, Rússia e China), ele não tem intenção de oferecer novos incentivos para que o Norte cumpra acordos de 1994, 2005 e 2008 - aos quais renunciou recentemente.

"Clinton caiu uma vez, Bush caiu de novo e nós não vamos cair pela terceira vez", disse um dos principais estrategistas de Obama, se referindo à usina de Yongbyon, onde o combustível é reprocessado e transformado no plutônio usado em bombas.

Ao mesmo tempo, alguns oficiais reconhecem que seu principal objetivo não é retomar o que podem chamar de capacidade nuclear "rudimentar", mas ao invés disso impedir o país de criar uma pequena bomba capaz de ser disparada por um míssil de pequeno, médio ou longo alcance.

Caso conduza interceptações, os Estados Unidos se arriscam a um confronto direto com a Coreia do Norte. Esta perspectiva (e a possibilidade de sua escalada caso o país resista) é o motivo pelo qual a China tem evitado as propostas americanas para adotar a resolução do Conselho de Segurança da ONU que permitiria interceptações em alto mar.

Uma resolução anterior, aprovada depois do primeiro teste do Norte em 2006, permitiu interdições "consistentes com as leis internacionais". Mas o termo nunca foi definido e poucas provisões foram colocadas em prática pela gestão Bush, seus aliados na Ásia ou os chineses.

A Coreia do Norte tem repetido que veria qualquer interceptação como um ato de guerra e oficiais de Washington têm tentado encontrar formas de impedir os carregamentos sem conflito.

No final da semana, James B. Steinberg, vice-secretário de Estado, visitou Pequim com uma delegação de oficiais americanos em busca de ideias da China a respeito de sanções, incluindo a pressão financeira, que possam forçar a Coreia do Norte a mudar de direção.

- DAVID E. SANGER

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