EUA e Coreia do Sul sinalizam abertura à Coreia do Norte

Com cautela, governos tentam mostrar prontidão para negociar com novo governo norte-coreano, após morte de Kim Jong-il

The New York Times |

Os Estados Unidos e a Coreia do Sul demonstram cautelosa abertura em relação à Coreia do Norte, à medida que Kim Jong-un, lançado no cenário internacional após a morte de seu pai, Kim Jong-il, age rapidamente para reforçar a segurança interna e buscar apoio ao regime militar.

O desejo dos aliados de não provocar a Coreia do Norte e ver uma transição estável do poder em Pyongyang foi ressaltada na quarta-feira, quando o governo de Seul permitiu que organizações privadas e indivíduos transmitissem suas condolências pela morte de Kim Jong-il.

Leia também: Jovem herdeiro enfrenta transição incerta na Coreia do Norte

AP
Kim Jong-il assiste desfile militar ao lado do filho, Kim Jong-un, em Pyongyang (10/10/2010)

Horas antes, o Departamento de Estado disse que autoridades americanas haviam se encontrado com diplomatas norte-coreanos na sede da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York.
Foi acordada a continuação das discussões sobre uma possível ajuda alimentar para a Coreia do Norte, que foram realizadas pela primeira vez na semana passada em Pequim.

Victoria Nuland, porta-voz do Departamento de Estado, disse que as negociações em Pequim não foram conclusivas. "Vamos ter de continuar a falar sobre isso", disse Nuland. "E considerando o período de luto, francamente, não acho que vamos poder ter muita clareza e resolver essas questões antes do próximo ano.”

Os gestos de Washington e Seul - que manifestaram solidariedade ao povo norte-coreano, mas não ao regime - sinalizam sua prontidão para se engajar com a liderança emergente no governo de Pyongyang, quando ele estiver pronto.

Na terça-feira, a Coreia do Sul decidiu não enviar uma delegação do governo para o funeral de Kim Jong-il, mas permitiu que a família do ex-presidente Kim Dae-jung e o ex-presidente da Hyundai Chung Mong-hun participem. Na quarta-feira, o governo sul-coreano disse que irá permitir que grupos privados e particulares, como a fundação que leva o nome do falecido presidente Roh Moo-hyun, que realizou uma cúpula com Kim Jong-il em 2007, enviem condolências por correio ou fax.

Dada a idade e inexperiência de Kim Jong-un, que teria cerca de 26 anos, dúvidas persistem sobre sua capacidade de consolidar seu poder. Especula-se se ele irá se tornar a figura de uma liderança coletiva, na qual os militares e seu tio serão os verdadeiros agentes de poder.

Jang Song Thaek, 65, o cunhado de Kim Jong-il, se tornou influente durante o domínio do líder norte-coreano e foi muitas vezes citado como um possível regente para Kim Jong-un.

Por Choe Sang-Hun

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG