EUA e China negociam trégua ecológica

WASHINGTON - Durante meses os Estados Unidos e a China, de longe os maiores emissores de gases causadores do efeito estufa do mundo, pressionaram um ao outro para acabar com um longo empasse político em relação ao aquecimento global.

The New York Times |

Conforme uma equipe americana sênior chegava a Pequim no domingo para dar início às negociações sobre o clima, o impasse parecia seguir o mesmo caminho cheio de armadilhas que as negociações de controle de armas durante a Guerra Fria, com grandes quantidades de gases causadores do efeito estufa tomando o lugar do enorme poder nuclear em relação ao risco que representa para as pessoas de todo o mundo.

"Esta será uma das negociações diplomáticas mais complexas da história do mundo", disse o representante Edward J. Markey, Democrata de Massachussets, co-patrocinador de um projeto de energia em debate na Câmara, que voltou aos Estados Unidos depois de uma semana na China.

Muitos veem o simples fatos das duas nações responsáveis por mais de 40% das emissões de gases causadores do efeito estufa do mundo estarem negociando como algo positivo.

Mas por aqui há motivos para uma profunda descrença. Os chineses continuam a resistir ao limite obrigatório sobre suas emissões e fazem exigências financeiras e ambientais dos Estados Unidos que são impedimentos políticos.

Os Estados Unidos, por sua vez, ainda têm que colocar em prática qualquer limitação sobre suas emissões de gases causadores do efeito estufa. O projeto de lei energético que está diante do Congresso propõe limites de emissão que estão muito abaixo do que a China e outras nações dizem esperar do país.

Além disso, ambos países enfrentam dificuldades econômicas e o público chinês e americano parece mais interessado em empregos do que em lidar com problemas ecológicos.

O principal debate em Pequim até então tem sido o acordo para que haja mais debate sobre o assunto.

No entanto, o relógio não para. A apenas seis meses para a abertura das negociações em Copenhagem, Dinamarca, onde se buscará um tratado para substituir o Protocolo de Kyoto de 1997, que não incluiu a China e que os Estados Unidos nunca ratificaram. Sem a total cooperação americana e chinesa, os negociadores acreditam que o acordo irá fracassar.

"A China pode não ser o alfa e omega em negociações internacionais, mas está perto disso", disse Todd D. Stern, principal negociador do clima em três dias de debates em Pequim. "Certamente nenhum acordo será possível se não encontrarmos uma maneira de seguir adiante com a China".

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