EUA divulgam número de ogivas em arsenal nuclear

Governo Obama anuncia que país tem oficialmente 5.113 armas nucleares ativas, o que significa uma redução de 84% desde 1967

The New York Times |

Finalmente, a verdade pode ser dita. Os Estados Unidos anunciaram oficialmente que têm 5.113 ogivas em seu arsenal , e mais "algumas milhares" que aguardam demantelamento. O total chega tão perto das estimativas não oficiais que circulam publicamente há anos, que algumas pessoas podem questionar a importância do momento.

Autoridades de inteligência americanas há muito argumentam que revelar os números ajudaria os terroristas a calcular o combustível mínimo necessário para uma arma. Se isso fosse verdade, a quantidade estaria desatualizada. Websites respeitáveis já revelam que as armas americanas precisam de cerca de 4 kg de plutônio, ou cerca de 8,8 libras.

O fato de esses não-segredos serem ciosamente guardados durante tanto tempo mostra como a teimosa mentalidade da burocracia da Guerra Fria se manteve quando o assunto é armas nucleares, defesa e inteligência. O presidente Barack Obama deve ser elogiado por romper com esse anacronismo. Isso ajudará na credibilidade americana em pressionar contra uma maior disseminação de armas nucleares.

Os números mostram o quanto os Estados Unidos diminuíram seu arsenal nuclear, que chegou ao auge de 31.255 armas em 1967. As 5.113 armas significam uma redução de 84%, mas ainda muito mais do que é necessário para dissuadir qualquer ameaça.

Os Estados Unidos e a Rússia (que se estima ter milhares de armas a mais na reserva do que os Estados Unidos) precisam fazer cortes maiores. Mas depois de anos de inércia sob o comando do presidente George W. Bush, que desdenhava tratados de armas, a nova tendência já é uma melhora.

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, continuava agindo com orgulho esta semana. Apesar de seu país ter escondido seus esforços nucleares durante anos e ter sido recentemente pego escondendo instalações de enriquecimento proibidas, ele disse a uma plateia nas Nações Unidas que Washington é o "principal suspeito" de alimentar uma corrida aos armamentos nucleares.

A decisão de Obama em divulgar as informações, e os próprios números, tiraram a força dessa declaração.

*Editorial

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