EUA devem abandonar uso de código de cores para terrorismo

Escala com níveis de ameaça está condenada porque não diz às pessoas como proceder, apenas causa pânico

The New York Times |

AP
Escala vai do vermelho (sério risco de ataques) ao verde (ameaça baixa), passando por azul (algum risco), amarelo (ameaça significativa) e laranja (risco elevado)
E lá se vai outra piada. O Departamento de Segurança Interna planeja se livrar do sistema de alerta codificado em cores para o terrorismo. Conhecido oficialmente como Sistema de Aconselhamento da Segurança Nacional, o regime de cinco cores foi implementado pelo governo Bush em março de 2002.

Vermelho, o mais alto nível, significava "sério risco de ataques terroristas". O nível mais baixo, verde, significa "baixo risco de ataques terroristas". Entre eles estão azul (algum risco), amarelo (risco significativo) e laranja (risco elevado). O país vive geralmente entre o amarelo e o laranja. O nível de ameaça nunca foi verde ou azul.

Em uma entrevista ao programa The Daily Show no ano passado, a chefe da segurança interna, Janet Napolitano, disse que o departamento estava em processo de "revisão da questão dos códigos de cores e esquemas para saber se essas coisas ainda realmente comunicam algo ao povo americano".

E a resposta, aparentemente, é não.

Os níveis de ameaça de um código de cores estavam condenados ao fracasso porque "não dizem às pessoas o que elas podem fazer, eles apenas estabelecem medo", disse Bruce Schneier, autor que escreve sobre questões de segurança. Ele lembrou que o sistema é "uma relíquia do nosso pânico após o 11 de Setembro, que nunca serviu a qualquer propósito de segurança".

Novo sistema

O Departamento de Segurança Interna disse em um comunicado que as cores serão substituídas por um novo sistema – recomendações ainda estão em processo de análise – que deve dar mais clareza e orientação.

A mudança foi divulgada pela Associated Press. "O objetivo é substituir um sistema que não comunica nada por uma abordagem de parceria entre as agências de aplicação da lei, o setor privado e o público americano que fornece informações precisas e acionáveis com base nas últimas informações de inteligência", disse a agência.

O departamento já começou a trabalhar com o objetivo de fornecer alertas mais específicos. Depois que o cidadão nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab foi acusado de tentar atacar um avião que ia para Detroit com explosivos no último Natal, o departamento divulgou novas diretrizes para os aeroportos e companhias aéreas, sem elevar o nível de ameaça.

Ainda que o sistema possa ter tido uma utilidade limitada para o público dos Estados Unidos, ele provou valer ouro para os programas de comédia. O comediante Conan O'Brien brincou: "Rosa-champanhe significa que estamos sendo atacados por Martha Stewart". Jay Leno disse: "Eles acrescentaram xadrez, para o caso de sermos atacados pela Escócia".

Enquanto isso, os críticos do governo Bush argumentavam que o sistema era uma ferramenta política.

Mas mesmo Tom Ridge, o secretário de Segurança Interna do presidente George W. Bush, teve suas dúvidas. Em sua autobiografia, The Test of Our Times: America Under Siege ... And How We Can be Safe Again, Ridge disse que o então procurador-geral John Ashcroft, e o secretário de Defesa Donald Rumsfeld pressionaram por um nível elevado do alerta de terrorismo em outubro de 2004, após ser revelado um vídeo contendo ameaças de Osama bin Laden.

Ridge escreveu depois de "um vigoroso, e alguns podem dizer até dramático, debate: 'Isso se trata de segurança ou de política?'".

Embora o nível de segurança, em última análise, não tenha sido aumentado, ele disse que o incidente o ajudou a decidir que era hora de deixar o governo em fevereiro de 2005.

Amy Cera, presidente da Associação Internacional de Consultores de Cores da América do Norte, disse – talvez sem surpresas – que as cores poderiam ser eficientes como parte de um sistema de alerta caso relacionadas a uma ação específica. "Como iremos aceitar essas instruções e aplicá-las em nossas vidas?", disse."Nós devemos ir ao aeroporto ou não ir ao aeroporto?"

Ela disse que a adoção de cores primárias "infantis" pela agência, como vermelho, amarelo e azul pode ter diluído seu impacto. "Roxo, laranja e magenta poderiam criar uma sensação mais real de algo que precisa de atenção", observou.

*Por John Schwartz

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