EUA avaliam medidas para incentivar mudanças políticas em Mianmar

Após eleições falhas de 2010, junta militar parece que aliviará restrições às liberdades civis e cooperará com movimento de Suu Kyi

The New York Times |

Os EUA estudam uma mudança significativa em sua tensa relação com o governo autocrático de Mianmar, incluindo relaxar restrições à assistência financeira e tomar outras medidas para incentivar o que autoridades americanas descrevem como surpreendentes mudanças políticas no país.

O descongelamento, embora em seus estágios iniciais, ocorre após uma transição política impulsionada por  eleições profundamente falhas no ano passado que, todavia, parecem ter criado a possibilidade de que o novo governo alivie as restrições às liberdades fundamentais e coopere com o movimento de oposição liderado por Aung San Suu Kyi .

A aparente mudança oferece aos EUA a chance de melhorar os laços com um país do sudeste asiático rico em recursos naturais e que conta com a vizinha China como seu principal aliado depois de muitos anos de semi-isolamento. Na semana retrasada, a nova liderança de Mianmar inesperadamente interrompeu os trabalhos em um projeto de barragem de US$ 3,6 bilhões apoiado pela China, desatando críticas do governo chinês e da empresa estatal chinesa responsável pela construção da barragem.

O novo presidente, U Thein Sein, um ex-general que fez parte da junta militar que governou o país por duas décadas, tem, em seis meses no cargo, sinalizado uma ruptura com as políticas centralizadas e erráticas do passado. O governo de Thein Sein agora quer reescrever as leis sobre impostos e propriedade, revogando as restrições à mídia e chegando até mesmo a discutir a libertação de presos políticos.

O governo de Barack Obama, embora cético, tem respondido a essa abertura com pequenos passos diplomáticos, esperando que uma transição democrática em Mianmar possa trazer mais estabilidade e oportunidades econômicas para uma região rica em recursos naturais em um momento de crescente concorrência americana com a China por mais influência na Ásia.

"Responderemos sua ação com ação", afirmou o recém-nomeado enviado especial para Mianmar, Derek Mitchell. Ele passou cinco dias no mês passado em Mianmar, em reunião com líderes do governo e da oposição.

Essa visita foi seguida por reuniões em Nova York e Washington entre oficiais do Departamento de Estado e o ministro das Relações Exteriores de Mianmar, U Wunna Maung Lwin.

A motivação para as mudanças tem confundido as autoridades dos EUA e outros, mas Mianmar parece ansioso para terminar seu isolamento e reconstruir sua economia.

Membros do governo de Thein Sein se reuniram várias vezes com Suu Kyi, que foi libertado da prisão domiciliar em novembro . Ela também manifestou apoio cauteloso para o que parece ser uma abertura política.

*Por Steven Lee Myers e Thomas Fuller

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