EUA analisam acordo sobre soldados gays assumidos

Câmara americana deve começar a estudar a partir de quinta proposta para revogar lei que proíbe gays declarados nas Forças Armadas

The New York Times |

O presidente Barack Obama, o Pentágono e líderes políticos chegaram na segunda-feira a um acordo sobre a linguagem e o tempo que serão adotados para revogar a política militar "Don't Ask, Don't Tell" (Não pergunte, Não diga, em tradução livre), abrindo espaço para que o Congresso analise a medida ainda esta semana.

Ainda não ficou claro se o acordo garantiu os votos necessários para ser aprovado na Câmara e no Senado, mas ele removeu as objeções do Pentágono para que o Congresso vote rapidamente na revogação da controvertida política de 17 anos que proíbe gays e lésbicas declarados de servirem nas Forças Armadas.

The New York Times
Secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates (à esq.), e presidente do Estado-Maior Conjunto, Mike Mullen, defendem no Senado fim da lei ¿don¿t ask, don¿t tell¿(02/02/2010)
Líderes democratas na Câmara se reuniram na noite de segunda-feira e consideram analisar a medida ainda nesta quinta-feira. Mas, mesmo se a medida for aprovada, a política não poderá ser modificada até 1º de dezembro, quando o Pentágono completará uma revisão de sua prontidão para lidar com as possível mudança. Obama, seu secretário da Defesa, Robert Gates, e o presidente do Estado-Maior Conjunto, Mike Mullen, também terão de garantir que a mudança não prejudicará a prontidão das forças militares.

A medida pode permitir que gays e lésbicas declarados sirvam abertamente no serviço militar pela primeira vez, acabando com uma política que Obama, Gates e Mullen dizem se opor.

O representante Patrick J. Murphy, democrata da Pensivlânia e importante defensor da revogação na Câmara, espera poder colocar a proposta juntamente com um projeto de lei de autorização de defesa que será votado nesta quinta-feira.

No Senado, Joseph I. Lieberman, independente de Connectitut, pretende apresentar o projeto na quinta-feira ao Comitê das Forças Armadas. Em uma carta a Obama na segunda-feira, Murphy, Lieberman e o senador Carl M. Levin, presidente do Comitê das Forças Armadas, anunciaram seu apoio à proposta e solicitaram a "opinião oficial" da Casa Branca.

Mas assistentes do Capitólio disseram que a carta é apenas uma formalidade; o diretor de Orçamento de Obama, Peter R. Orszag, respondeu prontamente com o consentimento da Casa Branca ao projeto. O acordo foi feito na segunda-feira após agitadas reuniões de portas fechadas na Casa Branca e no Capitólio.

Autoridades da Casa Branca e do Pentágono, que se reuniram com assistentes e proponentes da mudança no Congresso, recusaram-se desde o início a falar sobre negociações. "Uma vez que o Congresso insiste em abordar o assunto esta semana", disse Geoff Morrell, porta-voz de Gates, "estamos tentando entender melhor as propostas legislativas que serão consideradas".

Alguns defensores dos direitos dos homossexuais reclamam que muitas condições foram agregadas à mudança. Mas o presidente da Campanha de Direitos Humanos, Joe Solmonese, disse que o acordo "nos coloca um passo mais perto de remover essa mancha das leis de nossa nação".

Obama tem estado sob intensa pressão por parte de grupos de direitos dos homossexuais para cumprir sua promessa de campanha e trabalhar com o Congresso para mudar a lei que proíbe homossexuais nas Forças Armadas.

A mudança total, que exige um ato do Congresso, tem caminhado lentamente. Defensores dos direitos dos homossexuais querem uma votação antes das eleições do mês de novembro, quando os democratas devem perder espaço. A proposta que circula agora permite que os legisladores façam isso, permitindo simultaneamente que Gates mantenha seu calendário de revisão intacto.

* Por Sheryl Gay Stolberg

    Leia tudo sobre: EUAgaysExércitohomossexuaisForças ArmadasObama

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG