EUA abandonam projetos de reconstrução no Iraque

Obra que criaria sistema de tratamento de esgoto em Fallujah não será finalizada pelos americanos

The New York Times |

Depois de duas batalhas devastadoras entre as forças americanas e os sunitas insurgentes em 2004, a cidade de Fallujah, no Iraque, necessitava de quase tudo - de novas estradas, água potável, eletricidade, postos de saúde.

As autoridades americanas para reconstrução decidiram, no entanto, que o primeiro grande projeto para conquistar os corações e mentes locais seria um sistema de tratamento de esgoto municipal.

Agora, após mais de seis anos de trabalho, US$ 104 milhõesgastos e sem ter conectado uma única casa, os oficiais americanos da reconstrução decidiram abandonar o problemático sistema apenas parcialmente concluído, enfurecendo muitos moradores da cidade.

Esse é apenas um dos muitos projetos que os Estados Unidos decidiram abandonar - ou rever - conforme as tropas americanas que fornecem segurança para os locais de reconstrução se preparam para deixar o país em grande número.

Mesmo alguns dos projetos que serão concluídos estão sendo finalizados com tanta pressa, segundo as autoridades iraquianas, que os padrões de engenharia caíram bruscamente, colocando os trabalhadores em perigo e deixando parte do trabalho em risco de colapso.

As autoridades americanas dão muitas razões para sua decisão de cortar ou abandonar alguns projetos antes que mais tropas deixem o país, inclusive que eles descobriram que em alguns casos as instalações divergiram das necessidades mais urgentes do Iraque, ou que o trabalho inicial - supervisionado por empreiteiros americanos e executado por trabalhadores iraquianos - foi tão irregular que levaria muito tempo para corrigir os problemas.

Oficias da reconstrução apontam que completaram a maior parte dos US$ 53 bilhões em projetos que planejaram para todo o Iraque, de pontes a fazendas de mel de abelha.

E os oficiais, juntamente com a Embaixada dos Estados Unidos em Bagdá, dizem que estão cientes de apenas algumas preocupações isoladas sobre a qualidade do trabalho de reconstrução em curso no país, ou sobre projetos que ficaram inacabados.

"Eu não estou ciente de que os iraquianos tenham qualquer tipo de ressentimentos porque não iremos concluir projetos em curso ou dar início a outros que dissemos que iríamos", disse o coronel Dionysios Anninos, chefe do Corpo de Engenheiros do Exército no Iraque. "Nós vamos terminar fortes!"

Mas alguns iraquianos têm comparado o abandono do esforço de reconstrução em curso com a irregular retirada americana do Vietnã em 1975.

Na província de Diyala, ao nordeste de Bagdá, oficiais iraquianos disseram que achavam que os padrões de construção caíram tão drasticamente que ordenaram a suspensão imediata de todos os projetos financiados pelos americano, apesar de inspetores americanos terem considerado o trabalho adequado.

Em Bagdá e nas províncias de Salahuddin, as autoridades locais dizem que os americanos têm simplesmente abandonado delegacias, escolas, edifícios governamentais e projetos de água parcialmente concluídos nos últimos meses sem nenhuma explicação.

E nas províncias Dhi Qar e Babil, há queixas de que as estradas e os edifícios concluídos recentemente pelos americanos não cumprem os padrões básicos de construção.

Em Hilla, capital da província de Babil, uma extensa fissura foi citada em uma estrada de US$ 7.4 milhões construída a menos de um ano atrás. Oficiais da reconstrução dizem que a rachadura não é fora do comum e não apresenta nenhum risco para a segurança.

Por Timothy Williams

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