Estupros intensificam trauma e desordem da guerra na Líbia

Trabalho de psicóloga identificou 259 vítimas de estupro; organizações de direitos humanos, no entanto, não encontraram evidências 'significativas'

The New York Times |

O promotor do Tribunal Penal Internacional disse neste mês que estão surgindo evidências de que o líder da Líbia, Muamar Kadafi, autorizou seus soldados a estuprar as mulheres líbias , uma afirmação que parece confirmar meses de rumores sobre uma campanha brutal e contínua.

"Temos informações de que havia uma política de estuprar as mulheres que eram contra o governo na Líbia", disse o procurador Luis Moreno-Ocampo, em uma coletiva de imprensa recente.

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A psicóloga Seham Sergewa entrevistou vítimas de estupros na Líbia para sua pesquisa
Há evidências, segundo ele, de centenas de vítimas em algumas partes da Líbia. Moreno-Ocampo advertiu, no entanto, que se tratam apenas de alegações e desde então investigadores de direitos humanos questionam essas afirmações.

A Anistia Internacional disse que seus pesquisadores não encontraram evidências "significativas" para apoiar a alegação de estupros em massa.

E M. Cherif Bassiouni, presidente de uma comissão da ONU que investiga violações dos direitos humanos na Líbia, disse que ele e sua equipe, até então, entrevistaram apenas uma vítima e foram informados sobre alguns outros casos. "Eu não estou dizendo que não seja verdade", disse ele em entrevista. "Estou dizendo que não tenho evidências para provar isso ainda”.

Pesquisa

Muito da controvérsia - assim como as evidências precoces de estupros em massa não confirmados - está centrada no trabalho da psicóloga Seham Sergewa, baseada em Benghazi.

Sergewa disse que identificou pelo menos 259 vítimas de estupro de mais de 60 mil respostas a pesquisas que ela e outros voluntários distribuíram por várias semanas no leste da Líbia e ao longo da fronteira com a Tunísia. Ela disse que entrevistou pessoalmente 140 vítimas de estupro.

Mas médicos têm questionado seus métodos de pesquisa, dizendo que parece improvável que ela possa ter distribuído tantos formulários em tão pouco tempo. Os médicos, incluindo o chefe do Hospital Psiquiátrico de Benghazi, Ali M. Elroey, afirmam que ela não está disposta a abrir sua pesquisa para revisão. "Acho um pouco exagerado", disse Elroey em uma entrevista no hospital. "Eu não acho que em três semanas você consiga distribuir tantos formulários de pesquisa”.

Sergewa mostrou alguns formulários preenchidos a um repórter, mas disse que não tem acesso aos outros porque Elroey trancou sua pesquisa em seu antigo consultório no hospital psiquiátrico.

Na parte de trás de um formulário, segundo Sergewa, uma vítima de estupro de 22 anos de idade escreveu sobre seu desespero: "Estou sempre penso em me matar”.

*Por Kareem Fahim

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