Estudo revela que geração de crianças danificadas pelo consumo de cocaína durante a gestação não existe

BALTIMORE - Uma das irmãs tem 14 anos e a outra nove. Elas formam um par animado. A mais velha é brincalhona e responsável, boa estudante e devotada à ajudar em casa. A mais nova gosta de ler e assistir programas de culinária, além de recentemente ter conseguido mais pontos do que o normal no exame de qualidade de ensino da cidade.

The New York Times |

Não haveria nada de incomum a respeito destas duas meninas felizes e normais se não fosse pela história de sua mãe. Yvette H., 38, admite que usou cocaína (bem como heroína e álcool) durante a gravidez das duas.

Quando o uso do crack se tornou uma epidemia nacional nos anos 1980 e 1990, houve também o surgimento de temores de que a exposição pré-natal à droga produziria uma geração de crianças danificadas.

Agora os pesquisadores acompanham o desenvolvimento de crianças que foram expostas à cocaína antes do nascimento e suas descobertas sugerem que histórias encorajadoras como a das filhas de Yvette H. não são incomuns. Até o momento, estes cientistas afirmam, os efeitos a longo prazo de tal exposição sobre o desenvolvimento do cérebro das crianças e de seu comportamento parece relativamente pequeno.

"Há diferenças? Sim", disse Barry M. Lester, professor de psiquiatria da Universidade de Brown que coordena o Estudo do Estilo de Vida Materno, um grande estudo financiado pelo governo sobre as crianças expostas à cocaína ainda no útero. "Elas são confiáveis e persistentes? Sim. São grandes? Não".

Cocaína e tabaco

A cocaína é sem dúvida ruim para o feto. Mas especialistas dizem que seu efeito é muito menos grave do que o do álcool e se compara ao do tabaco - duas substâncias legais que são mais comumente usadas por mulheres grávidas, apesar dos alertas.

Pesquisas do Departamento de Saúde e Serviços Humanos em 2006 e 2007 revelaram que 5,2% das mulheres grávidas reconhecem usar drogas ilícitas, em comparação a 11,6% que confirmou o uso de álcool e 16,4% de tabaco.

A cocaína desacelera o crescimento do feto e crianças expostas a ela nascem menores do que as que não tiveram a influência da droga durante sua gestação. Mas conforme as crianças crescem, seu cérebro e corpo crianças se desenvolve normalmente.

Em uma conferência científica em novembro, Lester apresentou a análise de um conjunto de estudos de 14 grupos de crianças expostas à cocaína (4.419 no total, de idades entre 4 e 13 anos). A análise não mostrou efeitos significativos sobre o QI ou desenvolvimento da linguagem. No maior dos estudos, os índices de QI de crianças expostas teve média de quatro pontos a menos do que a de crianças não expostas.

Por SUSAN OKIE

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