Estudo revela passado de super-secas na África

Durante pelo menos três mil anos, uma série de potentes secas, muito mais graves e duradouras do que as que são experienciadas hoje, atingiram o cinturão sub-Saariano da África que hoje abriga milhões das pessoas mais pobres do mundo, afirmaram pesquisadores climáticos.

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África

Secas que atingem região de tempos em tempos é inevitável e imprevisível

A última de tais secas, que persistiu mais de três séculos, terminou por volta de 1750, a equipe de pesquisa revela na edição do dia 17 de abril do jornal Science.

Os cientistas alertaram que tais mega-secas são inevitáveis, apesar de não existir uma forma de prever quando a próxima acontecerá.

A assustadora descoberta surgiu do primeiro estudo ano a ano das condições climáticas na região ao longo de milênios, com base nas camadas de lama e árvores mortas em um lago de Gana. Apesar das evidências terem sido colhidas apenas em uma localidade, o lago Bosumtwi, os pesquisadores disseram ter provas de que os padrões de seca que marcaram o leito do lago atingiram toda a região do oeste da África.

O principal autor do estudo, Timothy M. Shanahan da Universidade do Texas e Jonathan T. Overpeck da Universidade do Arizona, alertaram que o aquecimento global deve exacerbar estas secas.

Kevin Watkins, diretor do gabinete de Relatórios de Desenvolvimento Humano da ONU, disse: "Muitas das 390 milhões de pessoas que vivem na África com menos de US$1,25 por dia são pequenos fazendeiros que dependem de duas coisas: terra e chuva. Qualquer mudança climática como o atraso nas chuvas, ou uma mudança no ciclo das secas, pode ter efeitos catastróficos".

Por causa da vulnerabilidade da região, as novas descobertas e a perspectiva de aquecimento global podem ser "sinais precoces de uma reversão sem precedentes e catastrófica no desenvolvimento humano", disse Watkins.

O estudo afirma que algumas das grandes secas do passado tiveram relação com padrões de aumento e redução da temperatura da superfície do Oceano Atlântico, algo que é conhecido como a oscilação multi-decanal do Atlântico.

Tipicamente, nos últimos três mil anos, uma mega-seca aconteceu a cada 30 e 65 anos, segundo os pesquisadores. Mas diversas as secas que duraram séculos e foram registradas no clima, a mais recente persistindo de 1400 até cerca de 1750, são mais difíceis de se explicar.

Ainda que esta seca tenha acontecido durante um período de frio no Hemisfério Norte conhecido como a "Pequena Idade do Gelo" outras apareceram quando o mundo estava relativamente quente, diz o estudo.


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