Estudo relaciona região do cérebro à depressão

Cientistas que acompanharam famílias com histórico de depressão descobriram diferenças estruturais nos cérebros destas pessoas (especificamente um significativo afinamento do córtex, a superfície do cérebro, do lado direito). O afinamento pode ser um traço ou uma marca da vulnerabilidade da pessoa à depressão, sugeriram os pesquisadores.

The New York Times |

O estudo de imagens do cérebro realizado pelos cientistas revelou o afinamento em descendentes de pais e avós deprimidos, mesmo se eles próprios não tenham sofrido um episódio de depressão ou ansiedade, disseram os pesquisadores.

"Isso que é realmente extraordinário. Isso é visto duas gerações depois e da mesma forma em crianças e em adultos", disse Dr. Bradley S. Peterson, professor de psiquiatria da Faculdade de Colúmbia e principal autor do estudo. "Além disso, está presente mesmo que os descendentes ainda não tenham adoecido".

Ainda que as pessoas possam assumir que este é um traço genético, nem sempre este é o caso, disse Peterson. "Nós não sabemos se isso tem uma origem genética ou se é consequência de se crescer com pais ou avós que estão doentes. Os estudos revelam que quando os pais estão deprimidos, isso muda o ambiente no qual as crianças estão crescendo".

O estudo, que será publicado no jornal da Academia Nacional de Ciência, é o desenvolvimento de uma pesquisa que teve início há 27 anos pelo Dr. Myrna Weissman para investigar as raízes da depressão. Weissman é o autor sênior do estudo.

Os cientistas conduziram exames de imagem no cérebro em 131 indivíduos, incluindo crianças e adultos de idades entre 6 e 54 anos, cerca dos quais metade tem algum risco de depressão por conta de seu histórico familiar. Mapas da grossura do córtex mostraram afinamento significativo em 28% em média em grandes trechos do hemisfério direito do cérebro nos grupos de risco, em comparação ao grupo de baixo risco, afirma o estudo.

"Se existe afinamento nesta porção do cérebro, ele interfere com o processamento dos estímulos emocionais", disse Peterson. "Nós achamos que isso os torna mais vulneráveis ao desenvolvimento de ansiedade e depressão ao essencialmente isolá-los em um mundo emocional".

O professor de psiquiatria e neurologia Dr. Helen Mayberg da Universidade de Emory em Atlanta, disse que o tamanho do estudo foi impressionante e que oferece "outra peça do quebra-cabeça que identifica algumas áreas do cérebro as quais devemos prestar mais atenção".


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