Estudo relaciona consumo de mídia a problemas de saúde em crianças

O Instituto Nacional de Saúde e o grupo sem fins lucrativos Common Sense Media têm outro motivo para que o presidente eleito Barack Obama continue a pedir que os pais desliguem as televisões.

The New York Times |

No que os pesquisadores dizem ser o primeiro relatório da espécie, uma análise de 173 estudos sobre os efeitos do consumo de mídia por crianças afirma que existe uma forte ligação entre a exposição maior e problemas de saúde.

"Preguiça no sofá, infelizmente, resume bem o problema", disse Ezekiel J. Emanuel, presidente do departamento de bioética do centro clínico do instituto, um dos cinco analistas do estudo.

O relatório deve fazer com que os legisladores retomem a educação midiática e campanhas de serviço público através da publicidade e deve motivar a indústria do entretenimento a ser mais "responsável e respondente", disse Jim Steyer, chefe executivo do Common Sense Media, que ajudou a financiar o estudo.

"Este estudo deixa claro que a exposição à mídia tem inúmeros impactos negativos sobre a saúde de crianças e adolescentes", ele disse.

Emanuel, Steyer e outros planejam informar os legisladores de Washington sobre os resultados do estudo nesta terça-feira. Junto com pesquisadores da Universidade de Yale e do Centro Médico Califórnia Pacífico, a equipe de Emanuel analisou quase 1,800 estudos conduzidos desde 1980 e identificou 173 que são compatíveis com os critérios estabelecidos pelos estudiosos.

Na maioria dos estudos mais tempo de televisão, filmes, videogames, revistas, música e internet tem relação com fatores como obesidade infantil, uso de tabaco e comportamento sexual. A maioria também revelou fortes relações (que os pesquisadores chamam de "associações estatisticamente significativas") com o uso do álcool e drogas, além de pouco desenvolvimento acadêmico.

As evidências são menos indicativas de uma relação entre a exposição à mídia e desordens de atenção ou hiperatividade, o sétimo fator negativo sobre a saúde a ser estudado.

Emanuel, cujo irmão, Rahm, será o chefe de equipe do presidente eleito, afirmou surpresa em relação aos resultados. "Descobrimos poucos estudos que fizeram qualquer relação positiva entre a mídia e a saúde das crianças", ele disse.

Os pesquisadores buscaram analisar o efeito sobre a saúde de uma ampla gama de mídias e resumir 30 anos de estudos em uma simples mensagem. "Os pais comuns não entendem que se deixarem seus filhos diante da TV ou do computador por cinco horas todos os dias isso poderá afetar o desenvolvimento de seu cérebro, além de influenciar no seu peso e levá-los a atividades sexuais de risco muito cedo", disse Steyer.

Reconhecendo que o status socioeconômico e outros fatores também afetam a saúde das crianças, Emanuel disse que os pesquisadores escolheram estudos que controlaram variáveis externas e os qualificaram de acordo.

Steyer disse que se surpreendeu ao não encontrar pesquisas sobre o impacto das novas tecnologias. "A mídia evoluiu tão rapidamente, mas quase não há pesquisas sobre mídias como Facebook, MySpace, celulares, etc.", ele disse.

Sua organização, que foi fundada em 2003 e oferece análises sobre websites, programas de televisão e videogames, pretende pressionar por mais estudos sobre a influência da mídia na saúde das crianças.
Obama mostrou interesse no assunto, dizendo aos pais que "desliguem as televisões e guardem os videogames", em discursos e em um comercial voltado à educação intitulado "Turn It Off" durante a campanha presidencial.

- BRIAN STELTER

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