Estudo pede engajamento diplomático com países muçulmanos

Após 18 meses examinando as deterioradas relações entre os Estados Unidos e mundo muçulmano durante a administração Bush, um grupo diversificado de líderes americanos irá divulgar um estudo nesta quarta-feira em Washington pedindo uma completa revisão da estratégica americana para reverter o aumento do terrorismo e do extremismo.

The New York Times |

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O relatório recomenda mias engajamento diplomático, mesmo com o Irã e outros adversários, e um maior investimento no desenvolvimento econômico de países muçulmanos para criar postos de trabalho para a juventude alienada. O grupo pede ao próximo presidente dos EUA para que use seu primeiro discurso para sinalizar uma aproximação, renunciar imediatamente ao uso da tortura e apontar um enviado especial dentro dos três primeiros meses de governo para mediar as negociações entre palestinos e israelenses.

O estudo Mudando o Curso: Uma Nova Direção para as Relações dos EUA com o Mundo Muçulmano foi produzido por 34 lideranças religiosas, empresariais, militares, acadêmicas, das áreas de política externa, de fundações e de organizações sem fins lucrativos. O grupo incluiu democratas como Madeleine Albright, que serviu como secretária de Estado durante a administração Clinton, e dois ex-congressistas republicanos, Vin Weber e Steve Bartlett.

Também estava no grupo Thomas Dine, ex-diretor do Comitê de Relações Públicas Americano-Israelense, e Ingrid Mattson, presidente da Sociedade Islâmica da América do Norte. Um terço do grupo era formado por americanos muçulmanos. Os membros foram selecionados pelas organizações responsáveis, a Search for Common Ground e a Consensus Building Institute. Ambas promovem a resolução pacífica de conflitos.

Cheguei aqui cético quanto a possibilidade de chegarmos a um acordo, disse em entrevista Weber, atual presidente da Fundação Nacional pela Democracia. Eu apoiei a invasão do Iraque, e essa foi claramente uma atitude que prejudicou a percepção que o mundo muçulmano tem dos americanos.

"Desrespeito"

O grupo se aprofundou nas pesquisas feitas em vários países muçulmanos e concluiu que as percepções negativas eram geradas mais pelas políticas americanas que pela religião muçulmana ou pelas crenças culturais. Se a política mudar, as percepções tendem a mudar também, diz o relatório.

Dalia Mogahed, diretor do Centro Gallup para Estudos Muçulmanos, disse que as pesquisas mostraram que as pessoas de países muçulmanos se sentem desrespeitadas pelos Estados Unidos, um sentimento que se intensificou com a invasão do Iraque e as fotografias de Abu Ghraib mostrando detentos sendo torturados e humilhados.

Mogahed contou que as pessoas disseram ao grupo que admiravam os valores democráticos americanos, mas que existe uma distância entre os valores que eles admiram e o tratamento que os muçulmanos recebem.

Albright disse em entrevista: Nós não estamos envolvidos em um choque entre civilizações ou crenças religiosas conflitantes. Existem políticas e ações que estão na raiz desse problema. Em alguns casos são nossas políticas e em outros casos, são deles.

Recomendações

As quatro recomendações básicas do grupo são contar coma diplomacia como primeira ferramenta, promover melhores governanças em países muçulmanos autoritários e que são aliados americanos como a Arábia Saudita e o Egito, ajudar na criação de empregos e desenvolvimento econômico nos países muçulmanos e encorajar programas de intercâmbio para educar os muçulmanos sobre os Estados Unidos, e vice-versa.

A urgência é bem grande, disse Weber. A administração Bush tem uma má imagem no mundo muçulmano e infelizmente isso gera uma imagem negativa dos EUA.

As campanhas de McCain e Obama receberam um resumo das recomendações e ambas foram receptivas, disse Weber e outros membros do grupo. Existe um resumo disponível para o Comitê da Câmara para Assuntos Externos e para os membros do Congresso, e uma cópia aberta ao público no Clube Nacional de Imprensa em Washington.

O senador Richard G. Lugar de Indiana, líder republicano do Comitê de Relações Exteriores, enviou o estudo a seus colegas com uma carta dizendo que o relatório contém recomendações construtivas sobre como podemos abordar essa questão em uma  estrutura bipartidária.

Por LAURIE GOODSTEIN

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