Estudo mostra riscos nos índices de radiação de exames médicos

Pelo menos 4 milhões de americanos com menos de 65 anos de idade são expostos a altas doses de radiação através de exames médicos a cada ano, de acordo com um novo estudo publicado no jornal de medicina The New England.

The New York Times |

Cerca de 400 mil destes pacientes recebem doses muito altas, mais do que o máximo da exposição anual permitida a funcionários de usinas nucleares ou outros que trabalham com material radioativo.

O estudo, que será publicado nesta quinta-feira, se baseou em uma pesquisa realizada entre 2005 e 2007 que cobriu quase 1 milhão de pacientes assegurados pela United Healthcare nos EUA.


Pacientes que fazem tomografias recebem altas doses de radiação / NYT

O estudo, no entano, não estimou o número de casos de câncer que a radiação pode causar nas próximas décadas.

Os testes radioativos são realizados por centenas de propósitos. Nas últimas duas décadas, eles se tornaram especialmente comuns na cardiologia, onde os médicos os usam para conferir a formação de placas nas artérias e a habilidade do coração em bombear sangue.

Alguns cardiologistas agora encorajam seus pacientes para que realizem exames visuais rotineiros no coração, mesmo que não tenham sintomas clínicos de doença no órgão, como dor no tórax ou dificuldade de respiração.

O uso dos exames aumentou nitidamente nas últimas duas décadas, conforme cada vez mais médicos compram aparelhos específicos para a realização de tomografias e outros exames visuais e os instalam dentro ou perto de seus consultórios.

Em 2007, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos calculou que o número de tomografias solicitadas a um paciente do Medicare havia quase quadruplicado entre 1995 e 2005, enquanto o número de outros exames aumentou até mais rapidamente.

O principal autor do novo estudo, Dr. Reza Fazel, cardiologista da Universidade de Emory, disse o uso de exames visuais parece ter aumentado até mesmo entre 2005 e 2007, período no qual o estudo foi realizado. "Estes procedimentos têm um custo, não apenas em dólares, mas em termos do risco de radiação", disse Fazel.

Os pesquisadores calcularam a quantidade de radiação recebida pelos pacientes através de códigos de seguro de vários tipos de exames visuais. A exposição é medida em millisieverts; o americano comum recebe aproximadamente três millisieverts por ano de todas as fontes.

O estudo concluiu que em pelo menos um dos três anos, 1.9% dos pacientes da United Healthcare receberam 20 millisieverts de radiação, ou quase sete vezes a média. Daquele grupo, aproximadamente 10%, ou 0,2% de todos os pacientes, receberam pelo menos 50 millisieverts, mais que a máxima anual que os reguladores nucleares permitem.

Estes números sugerem que aproximadamente 4 milhões de americanos recebam doses cumulativas que excedem 20 millisieverts ao ano.

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