Estudo mostra como inocentes são levados a confessar crimes

Pessoas sem envolvimento em um crime poderiam fornecer relatos detalhados do que ocorreu sob pressão durante interrogatório

The New York Times |

Eddie Lowery perdeu 10 anos de sua vida por um crime que não cometeu. Não havia nenhuma evidência física em seu julgamento por estupro, mas um fator esmagador o levou à prisão: ele confessou o crime.

No julgamento, os jurados ouviram detalhes que o Ministério Público insistia que apenas o estuprador poderia saber, inclusive que o estuprador atingiu a vítima de 75 anos de idade na cabeça com o cabo de uma faca de prata que encontrou na mesa da casa.

Evidências de DNA mostraram, mais tarde, que outro homem cometeu o crime. Mas essa reivindicação viria somente anos depois de Lowery ter cumprido sua pena e ser colocado em liberdade condicional em 1991.

Mas, desde 1976, mais de 40 outras pessoas fizeram confissões que provas de DNA mostraram mais tarde serem falsas, de acordo com registros compilados por Brandon L. Garrett, professor da Universidade de Direito da Virgínia.

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Eddie Lowery passou 10 anos na prisão por ter confessado um estupro que não cometera
Os especialistas sabem há muito tempo que alguns tipos de pessoas – incluindo os deficientes mentais, os jovens e pessoas facilmente manipuladas – são mais prováveis a confessar mesmo sem ter culpa. Mas há também pessoas como Lowery, que diz ter sido pressionado além do suportável pelos interrogadores presentes.

Novas pesquisas mostram como pessoas sem envolvimento em um crime poderiam fornecer relatos detalhados do que ocorreu, permitindo que os procuradores afirmem que apenas o réu poderia ter cometido o crime.

Um artigo de Garrett recorre a transcrições de julgamentos, confissões registradas e outros materiais de apoio para mostrar como fatos incriminatórios entraram nas confissões – pela polícia que revela fatos importantes sobre o caso, intencionalmente ou não, durante o interrogatório.

Acusados

Dos acusados no estudo de Garrett, 26 – mais da metade – eram "deficientes mentais", menores de 18 anos na época, ou ambos. A maioria foi submetida a longos interrogatórios, de alta pressão, e sem a presença de um advogado. Apenas 13 foram levados à cena do crime.

Embora Garrett sugira que o vazamento de dados durante os interrogatórios não seja sempre proposital, Lowery disse que a contaminação de seu interrogatório foi claramente intencional. Após a confissão inicial, ele disse, os interrogadores passaram detalhes do crime para ele – perguntando como ele fez isso e corrigindo quando falava fatos errados. Como ele entrou?

"Eu disse, 'Eu arrombei a porta da frente'". Mas o estuprador tinha usado a porta de trás, então ele admitiu ter dado a volta por trás. "Eles me deram as respostas", lembrou.

*Por John Schwartz

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