Estudo encontra substâncias tóxicas em cigarros eletrônicos

Cigarros eletrônicos contêm traços de substâncias tóxicas e cancerígenas, de acordo com uma análise de produtos feita recentemente pela Food and Drug Administration (FDA).

The New York Times |

A descoberta, anunciada na quarta-feira, contradiz as afirmações feitas pelos fabricantes de cigarros eletrônicos de que seus produtos são alternativas seguras ao tabaco e contêm pouco mais do que vapor de água, nicotina e propilenoglicol, usado para criar fumaça artificial em produções teatrais. Quando aquecido, o líquido produz um vapor que os usuários inalam por meio de um dispositivo à bateria.

Estamos preocupados porque sabemos o que eles contêm e por não sabermos como afetam o corpo humano, disse Joshua Sharfstein, principal representante da FDA.

A agência analisou 19 variedades de cartuchos que guardam o líquido e dois tipos de cigarros, um fabricado pela NJoy e outro pela Smoking Everywhere.

A análise mostrou que diversos cartuchos continham níveis detectáveis de nitrosamina, componente específico do tabaco conhecido por causar câncer. Em um cartucho da Smoking Everywhere foi encontrado dietilenoglicol, ingrediente comumente usado para impedir materiais de congelar, que falsários usam de substituto para a glicerina em creme dental, matando dezenas no mundo todo.

Sharfstein disse que a agência não tem certeza do tipo de efeito que o dietilenoglicol e as outras substâncias cancerígenas têm sobre o corpo humano quando inaladas por meio dos cigarros eletrônicos.

A Electronic Cigarette Association (Associação Eletrônica do Cigarro, em tradução livre), um grupo da indústria do comércio, disse em um relato que os testes da FDA eram reduzidos para alcançar quaisquer conclusões válidas e confiáveis e que seus integrantes comercializam seus produtos apenas a adultos.

Um relato do chefe-executivo da NJoy, Jack Ledbetter, disse que uma terceira parte havia testado seus produtos e descoberto que eram alternativas adequadas para cigarros, mas ele não divulgou as descobertas. A companhia disse que seus especialistas revisariam seus testes e os da FDA.

Os cigarros eletrônicos, fabricados na China, estão sujeitos a pouco controle de qualidade, disse Sharfstein. O estudo mostrou que níveis de nicotina variam mesmo em cartuchos cujas embalagens alegam ter a mesma quantidade de nicotina. Alguns que afirmam não conter nicotina na verdade possuem, de acordo com a análise.

A FDA ligou para os distribuidores de cigarros eletrônicos e disseram que não deveriam permitir a entrada dos produtos no país. Foram mandados de volta cerca de 50 carregamentos de dispositivos que estavam na fronteira, mas eles ainda são vendidos em shoppings do país todo e na internet. A agência não comentou se planeja banir ou desapropriar os dispositivos. Em abril, a Smoking Everywhere processou a FDA, alegando que o órgão não tinha jurisdição para barrar a entrada de dispositivos eletrônicos nos EUA.
Oficiais da agência e da saúde pública estão preocupados principalmente com que os cigarros eletrônicos, oferecidos em diferentes sabores incluindo cereja e chiclete, atraiam as crianças e se tornem mais fáceis de serem comprados via online ou em shoppings por pessoas com menos de 18 anos.


Por KATIE ZEZIMA


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