Estudo detalha a expansão do HIV nos EUA

Um estudo com detalhamento incomum sobre pessoas recentemente infectadas pelo vírus HIV nos Estados Unidos confirmou que a maioria dos novos casos ocorre entre gays e homens bissexuais e que os negros formam o grupo de maior risco. Mas a pesquisa mostra que os brancos e os negros tendem a se infectarem em diferentes momentos de suas vidas com o vírus que causa a Aids.

The New York Times |

A maioria das novas infecções em homens gays brancos e bissexuais ocorre quando o homem está entre os 30 e os 40 anos, apontou o estudo, enquanto homens gays negros e bissexuais estão mais propensos a se infectarem na adolescência e entre os 20 anos. Os resultados foram publicados quinta-feira pelo Centro Americano de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, sigla em inglês).

O CDC informou em agosto que o estudo concluiu que o vírus estava se espalhando mais rápido pelos Estados Unidos do que se imaginava. Em 2006, o estudo descobriu que 56.300 pessoas haviam se infectado recentemente pelo vírus HIV ¿ 40% a mais que a estimativa da agência, que previa 40 mil novos casos por ano. O estudo utilizou novas tecnologias que permitiram aos pesquisadores distinguir novas e antigas infecções.  

O dr. Kevin Fenton do CDC disse que as conclusões da pesquisa serviram como um poderoso lembrete de que a epidemia de HIV nos EUA está longe de acabar. 

Os detalhes da análise demográfica da agência foram divulgados na quinta-feira na esperança de que, com o conhecimento de fatores como idade, raça e outras características, os esforços de prevenção poderiam ser melhor canalizados. 

A pesquisa realmente confirma o que nós já suspeitávamos e sabíamos antes, disse Fenton, que enfatizou o desproporcional impacto da doença em gays e bissexuais e em negros e latinos. 

Mulheres

O estudo mostrou que os negros, que representam 12% da população, são responsáveis por mais de 45% das novas infecções e que a disparidade é mais acentuada em mulheres.   

Mulheres negras são 15 vezes mais propensas a serem infectadas com HIV que as brancas. As hispânicas são quatro vezes mais que as brancas. Os homens negros têm seis vezes mais incidência que os brancos e três vezes mais que os hispânicos.

Entre aqueles que recentemente foram infectados pelo vírus, os homens negros não estavam mais propensos a serem usuários de drogas ou envolvidos em relações de risco que os homens brancos, de acordo com o estudo. Mais pesquisas serão necessárias para explicar por que os jovens negros estão tão expostos ao risco de contrair a doença, mas há muitas pistas dadas por outros estudos.

Possíveis explicações

O fato de aproximadamente mais negros que brancos estarem já infectados pode indicar que a taxa de transmissão entre os negros seja maior, disse o dr. Richard Wolitski, diretor da divisão para prevenção do HIV e da AIDS do CDC. Os homens jovens negros estão muito mais vulneráveis à prisão. A taxa de infecção entre os ex-presidiários é alta, em grande medida devido ao comportamento dos prisioneiros, mostram estudos.

Wolitski disse que os negros gays e bissexuais também tendem a ter parceiros que são mais velhos que os brancos gays e bissexuais da mesma idade e assim os parceiros já foram mais suscetíveis a infecções. 

Garotas e mulheres representam 27% dos casos recentes de infecção, e 80% delas contraíram HIV devido a contato heterossexual de alto risco. Entre os homens recentemente infectados, 81% dos brancos e 63% dos negros eram são gays ou bissexuais.  

Uma das mais tristes estatísticas fornecidas pelos centros foi a de que 80% dos homens gays e bissexuais em 156 cidades não foram atingidos por esforços intensos de prevenção do HIV que se provaram eficientes. Agências do governo disseram que mais precisa ser feito, incluindo expandir os exames de identificação do HIV e canalização de esforços de prevenção para os grupos de maior risco. 

Por GARDINER HARRIS

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