Estudo descobre que variação genética pode aumentar risco de HIV

Uma variação genética que antes protegia as pessoas na África sub-saariana de uma forma extinta da malária pode tê-los deixado mais vulneráveis à infecção do HIV, o vírus causador da Aids. O gene pode ser responsável por 11% das infecções do HIV na África, explicando porque a doença é mais comum do que o esperado nessa região, afirmaram os pesquisadores.

The New York Times |

Os pesquisadores disseram que sua descoberta não tem impacto imediato na saúde pública. Mas caso confirmada, irá oferecer importantes vislumbres do funcionamento da biologia do vírus.

A variação genética foi estuda no pessoal da Força Aérea dos Estados Unidos, cuja infecção pelo vírus HIV foi acompanhada nos últimos 25 anos. Americanos negros que carregam a variação genética tiveram 50% a mais de chances de contrair o HIV do que aqueles que não a têm, apesar da doença progredir mais lentamente, disseram os pesquisadores liderados por Sunil K. Ahuja, diretor do Centro de Administração HIV/AIDS dos Veteranos, e Matthew J. Dolan da Universidade de Serviços Uniformizados de Bethesda.

Os resultados foram publicados na quarta-feira no jornal Cell Host & Microbe.

David B. Goldstein, um geneticista que estuda o HIV na Universidade de Duke, disse que o novo resultado "será muito interessante se for comprovado" e que agora muitos outros pesquisadores irão testá-lo. "Se os resultados forem confirmados, isso significará que a seleção natural para a resistência à malária criou uma vulnerabilidade à infecção pelo HIV-1", ele disse, se referindo à principal forma de HIV.

A variação genética, conhecida como SNP, envolve uma mudança em uma unidade de DNA. Essa SNP em particular tem propriedades como prevenir que os glóbulos vermelhos insiram uma certa proteína em sua superfície. Essa proteína é chamada de receptora porque recebe sinais de um hormônio conhecido como CCL5, que faz parte do sistema regulatório do sistema imunitório.

A receptora também é usada pelo parasita da malária conhecido como Plasmodium vivax para chegar às células vermelhas das quais se alimenta. Cerca de 10 mil anos atrás, as pessoas na África que possuíam a variação no SNP tinham grande vantagem de sobrevivência por não serem vulneráveis ao antepassado do Plasmodium vivax. O SNP eventualmente atingiu toda a população e o parasita vivax desapareceu na África, onde foi substituído pela versão atual, o Plasmodium falciparum.

Mais de 90% das pessoas da África agora não têm a receptora em seus glóbulos vermelhos, bem como 60% dos negros americanos.

O Dr. Carl Dieffenbach, diretor da divisão de AIDS do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, disse que a nova descoberta, caso confirmada, será intrigante porque mostrará como patogenias modelaram as receptoras do corpo de formas variadas.

O melhor conhecimento dessas adaptações irá ajudar a compreender a biologia da infecção do HIV, ele disse.

Por NICHOLAS WADE

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