Estudo americano alerta para o perigo no Afeganistão

WASHINGTON ¿ Um estudo das agências americanas de inteligência concluiu que o Afeganistão está em uma ¿espiral descendente¿ e enfrenta sérias dúvidas sobre a habilidade do governo afegão em minimizar a influência Taleban no país, segundo autoridades que tiveram contato com o documento.

The New York Times |

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O relatório aponta que o colapso da autoridade central do Afeganistão foi acelerado pela crescente corrupção dentro do governo do presidente Hamid Karzai e pelo aumento da violência dos militantes que executaram sofisticados ataques. 

O relatório, uma versão quase completa da Avaliação da Inteligência Nacional, está previsto para estar concluído depois das eleições de novembro e será a avaliação americana mais abrangente em anos sobre a situação no Afeganistão. As conclusões representam um duro veredito das decisões tomadas pela administração Bush, que, nos meses após os ataques de 11 de setembro de 2001, fez do Afeganistão o foco central da luta global contra o terrorismo.

Além dos ataques lançados pelos militantes, o relatório da inteligência afirma que muitos dos problemas que atormentam o Afeganistão são de responsabilidade do próprio país, dizem as autoridades. 

AP

Carregamento de explosivo descoberto
na quarta-feira em Kandahar, Afegansitão

O relatório cita as conquistas da construção do Exército Nacional afegão e também detalha o que é descrito como o desestabilizador impacto do crescente tráfico de heroína, o que alguns estimam que represente 50% da economia afegã.

A administração Bush iniciou uma revisão geral de sua política para o Afeganistão e decidiu enviar tropas adicionais ao país. A piora na situação da segurança também virou tema das campanhas presidências, juntamente com os questionamentos sobre se a ênfase da Casa Branca na guerra do Iraque foi colocada no lugar errado.

Despertar para o problema

O relatório produzido pela Agência Central de Inteligência (CIA) registrou por mais de dois anos a piora crônica da violência e a crescente corrupção no Afeganistão, e alguns na agência dizem que acreditam que demorou muito tempo para a Casa Branca responder aos avisos.

Henry A. Crumpton, funcionário da CIA que ano passado se demitiu da divisão de combate ao terrorismo do Departamento de Estado, disse que alguns problemas do Afeganistão são resultados da falta de liderança da Casa Branca e de países Europeus que nunca se comprometeram com a reconstrução do Afeganistão depois de 2001.

Crumpton, que estava no comando das equipes da CIA que entraram no Afeganistão depois dos atentados de 11/09 e disse não ter visto o relatório, disse que o Afeganistão está ruim e ficando cada vez pior e que as autoridades de Washington estão apenas começando a despertar para o problema. 

Demorou muito tempo para despertarem para o problema, mas agora sabem que a situação está terrível, disse.   

AP

Escalada na violência levou a administraçlão
Bush deslocar mais soldados para o Afeganistão

A Avaliação da Inteligência Nacional é um documento formal que reflete o consenso de 16 agências americanas de inteligência. Apesar de a administração Bush ter tornado pública algumas descobertas cruciais sobre o Iraque e o terrorismo, a maioria ainda permanece secreta. A avaliação sobre o Afeganistão é a primeira desde que o Taleban reconquistou poder no início de 2006.

O estudo listou mais de meia dúzia de governantes que tiveram acesso às conclusões. Eles falaram com a condição de anonimato porque o relatório ainda é confidencial e não foi concluído.

Richard Willing, porta-voz do Escritório do Diretor da Inteligência Nacional, que produz as avaliações da inteligência nacional, se recusou a comentar o artigo.  Um porta-voz da Casa Branca, Gordon Johndroe, também se recusou a comentar as conclusões do relatório, mas disse: Todos entendem que a situação no Afeganistão é difícil. É por isso que o presidente enviou tropas adicionais para o país. É por isso que estamos aumentando o tamanho do Exército Afegão.

Os candidatos à presidência, os senadores Barack Obama e John McCain, pediram o aumento das tropas americanas no Afeganistão mesmo depois das ordens da Casa Branca. Obama acusou a Casa Branca de direcionar pouca atenção ao Afeganistão ao mesmo tempo que destinou muitos recursos americanos à guerra do Iraque. McCain defendeu a decisão do governo Bush dizendo que o Iraque é mais importante na luta contra o terrorismo.

Por MARK MAZZETTI e ERIC SCHMITT

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