Estudantes perdem entusiasmo para lutar novamente por Obama

Por desemprego, muitos estudantes de Nevada, onde votos dos jovens permitiram virada democrata em 2008, não farão campanha em 2012

The New York Times |

Durante grande parte da eleição presidencial de 2008, a campanha de Barack Obama foi a vida de Emma Guerrero. Ela fazia parte de um grupo de uma dúzia de voluntários que aparecia em um escritório de campanha de Obama todas as noites, abrindo mão de seu tempo de estudos na Universidade de Nevada, Las Vegas, para fazer parte do que ela ainda se lembra como o período mais emocionante de sua vida.

Leia também: Obama anuncia candidatura à reeleição em 2012

NYT
Maureen Gregory, que apoiou o presidente americano em 2008, diz que 'esperava mais' de Barack Obama

Foi em grande parte por causa de Guerrero – e centenas de outros estudantes universitários como ela por todo o país – que Obama montou uma máquina formidável que o ajudou a chegar à vitória em 2008, um triunfo que incluiu colocar Nevada no lado democrata pela primeira vez em 12 anos.

"Fizemos tudo. Nós fizemos a prospecção. Telefonamos para as pessoas. Limpamos os escritórios. Chegamos a levar o terno do chefe para a ‘lavanderia’. Tudo o que fosse necessário. Foi um momento maravilhoso porque todos acreditávamos e queríamos que ele se elegesse", disse.

Emma disse que não culpa Obama pela taxa de desemprego de 13,4% que tomou conta do Estado e que ainda está propensa a votar nele. Mas conforme se prepara para sua formatura em junho do próximo ano e para a procura por emprego que virá em seguida, a emoção que sente é medo, e Emma não consegue se imaginar tendo tempo ou espírito necessários para trabalhar na campanha de Obama.

"Eu não acho que eu poderia fazer isso. Essa campanha foi uma experiência incrível. Mas eu não acho que eu estou no mesmo momento. Ele não tem realmente abordado os jovens e nós o ajudamos a se eleger."

Em Nevada – e em outros Estados onde os eleitores jovens foram o combustível da campanha de Obama, votando para ele em 2 para 1 sobre John McCain – o entusiasta motor da campanha de 2008 se deparou contra a realidade de um mercado de trabalho enfraquecido para os formandos universitários.

Entrevistas aqui e em todo o país sugerem que a maioria dos apoiadores universitários de 2008 ainda estão inclinados a votar em Obama. Mas o exército que o presidente americano teve a seu dispor em 2008 não está disposto a voltar para as trincheiras, algo que irá possivelmente privar Obama de uma força importante na sua vitória.

Conselheiros de Obama, embora reconhecendo a mudança, afirmam estar confiantes de que a perda desses voluntários será compensada por um influxo de novos estudantes que atingiram a idade de voto desde 2008. O gerente da campanha Jim Messina disse que cerca de 8 milhões de eleitores com idades entre 18 e 21 anos se registraram no comitê desde a última eleição, a maioria dos quais eram democratas.

"Seus irmãos e irmãs começaram o trabalho e eles estão aqui para conclui-lo", disse. "Eles estão invadindo o nosso escritório. Nossos números de voluntários são maiores do que pensamos que seriam."

No entanto, mesmo os partidários do democrata dizem que parece improvável que o presidente – dadas as dificuldades desses últimos três anos e o humor do eleitorado de todas as idades – será capaz de replicar a energia jovem que se tornou marca registrada de sua campanha.

Na última eleição, Sandra Allen recebeu um grupo de colegas estudantes da Universidade Brown em sua casa para ligar para eleitores da Carolina do Norte e Indiana no dia da eleição, uma prática comum na campanha de Obama. Ele venceu nos Estados para o choque dos republicanos.

Perguntada se iria realizar um trabalho semelhante para Obama na próxima eleição, Sandra respondeu: "Não agora. E eu não vou marchar pelo campus com centenas de pessoas felizes caso ele seja reeleito no próximo ano."

Sandra se formou no ano passado e, após pesquisar o mercado de trabalho, decidiu refugiar-se na pós-graduação para esperar as coisas melhorarem. "Eu não estou otimista."

Jason Tieg, 22 anos, estudante da Universidade Brigham Young Idaho, votou em Obama com grande entusiasmo em 2008. Mas agora, lutando para encontrar um emprego para ajudá-lo durante seu curso, ele nem mesmo tem certeza de que faria isso novamente.

"Eu consegui um emprego em julho no campus, mas o perdi novamente quando eles precisaram cortar vagas", disse. "Eu não sei se eu vou apoiá-lo no próximo ano."

É difícil encontrar um Estado que mais vividamente ilustre o perigo para Obama no declínio do entusiasmo entre os eleitores jovens do que Nevada. Algumas partes do país têm sido mais afetadas pela recessão, com um teimoso índice de desemprego de dois dígitos, uma onda interminável de desapropriações imobiliárias e um grande número de desabrigados. E há poucos Estados onde os eleitores jovens foram tão cruciais para a vitória de Obama.

Mark , que foi presidente dos Jovens Democratas de Nevada em 2008, disse na época que a organização democrata na Universidade de Nevada era cerca de três vezes maior do que a organização republicana. No ano passado, era mais ou menos igual, uma tendência que os estudantes de lá dizem não ter mudado este ano.

Por sua parte, Triola se formou na primavera e encontrou um emprego no setor de comunicações. "Provavelmente não o que eu estava procurando, mas eu não posso reclamar, dado o que está acontecendo (no país)", disse.

NYT
Mark Triola foi presidente dos Jovens Democratas de Nevada em 2008
Jolie Glaser, um entusiasta apoiadora de Obama em 2008, quando frequentava a faculdade local, tem realizado trabalho voluntário em uma instituição de caridade enquanto procura por um emprego no terceiro setor. O seu entusiasmo pelo presidente também diminuiu. "É difícil continuar a ser uma seguidora dele", disse ela. "É mais fácil ser uma apoiadora com receios."

Sarah Farr, 20, uma estudante de comunicação, dedicou toda sua energia para ajudar Obama quando era estudante em Nevada há quatro anos. Mas agora, com a formatura se aproximando em 2013, ela disse que a última coisa que ela e seus amigos estão contemplando é trabalhar na campanha do atual presidente.

"Eu não tenho o mesmo entusiasmo agora que eu tinha da última vez", disse Farr. "Todo mundo está focado apenas em si mesmo e tentando se formar."

"Estou com medo que o diploma que estou conquistando não será útil no meu futuro. Isso me apavora. Estou com medo de que no momento em que eu me formar, não haverá empregos. É muito estressante."

E mesmo aqueles que permanecem fortemente do lado de Obama em Nevada dizem ver pouca chance de que ele ganhe no Estado. "Eu acho que não", disse Maureen Gregory, 23, nativa de Las Vegas que apareceu para uma entrevista no Café Madhouse carregada com broches, camisetas e cartazes da campanha.

"As pessoas em Nevada estão realmente irritadas. Acho que Nevada vai ser vermelha novamente em 2012, definitivamente."

Em 2008, Maureen Gregory saia da universidade todos os dias para trabalhar em um comitê de campanha de Obama.

"Às vezes eu ficava lá até meia-noite", disse. Ela também não se vê dedicando muito tempo de novo, embora admire Obama. "Eu não achava que seria tão ruim", disse. "Eu estou procurando por emprego, algo para fazer. Mesmo em tempo parcial. Eu definitivamente esperava mais de Obama."

Por Adam Nagourney

    Leia tudo sobre: eleição nos euajovemnevadaeuaobamademocratascampanhaapoiodesempregocrise econômica

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG