Estudantes arriscam tudo por reforma imigratória

Jovens imigrantes protestam por mudança nas leis no gabinete de John McCain

The New York Times |

Quatro jovens estudantes imigrantes arriscaram tudo na última segunda-feira ao invadir o gabinete do senador John McCain, em Tucson.

Eles pediam a aprovação do Dream Act ("Ato dos Sonhos", em tradução livre), um projeto de lei que oferece chances de obtenção de cidadania para imigrantes ilegais que, como eles, chegaram aos Estados Unidos ainda crianças, jovens demais para agir por vontade própria.

Para os que não têm documentos, qualquer encontro com policiais é perigoso - especialmente no Arizona, onde uma nova lei incentiva a caça aos imigrantes ilegais por motivos que vão além da razão, proporção ou Constituição.

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Imigrantes protestam na última segunda-feira em frente ao escritório político de John McCain em Tucson, no Arizona

Três dos estudantes manifestantes foram detidos por invasão. Embora tenham sido libertados posteriormente, eles enfrentam riscos de prisão e deportação por pedirem a aprovação de uma lei.

Quem mais tem demonstrado tamanha coragem na longa luta pela reforma imigratória?

Certamente não John McCain, que abandonou seu inicial apoio à reforma imigratória para melhorar sua chance de reeleição em uma campanha contra um oponente de extrema direita.

Não o presidente Barack Obama, que tem recuado à oratória e imprecisão em seu apelo por uma reforma.

Tampouco seu governo. O Departamento de Justiça não se manifestou quando uma coalizão de direitos civis - formada pelo Sindicato Americano de Liberdades Civis, Maldef, NAACP, Organização do Dia Nacional do Trabalhador, entre outros grupos - rapidamente entrou com uma ação para bloquear a lei do Arizona.

Outros supostos defensores dos imigrantes, entre democratas do Congresso, perderam suas vozes.

Os senadores Carlos Schumer, Robert Menendez e Harry Reid, conscientes das eleições de novembro e da frustração dos eleitores latinos, anunciaram planos de reforma para a imigração que imitam ideias republicanas de aumentar a segurança na fronteira sul e tratar imigrantes sem documentos como criminosos.

Uma boa reforma imigratória necessita de um bom projeto e o governo, o presidente e os líderes democratas não ofereceram uma proposta à altura da necessidade. A briga pela reforma está parada.

A batalha pode ser reacendida por simples atos de protesto. Meio século atrás, foram jovens em refeitórios e a bordo de ônibus no sul dos Estados Unidos que ajudaram a estabelecer os direitos civis e a acordar os poderoso para a injustiça que era cometida com a segregação racial.

Os desobedientes estudantes do Arizona, e outros quatro que caminharam da Flórida a Washington na primavera para pedir a aprovação do Ato dos Sonhos, querem a oportunidade que muitos desconsideram: a chance de obter um diploma universitário, forjar uma vida melhor, cumprir seu potencial em seu país.

Estes são sonhos que para eles valem o risco.

- Editorial

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