Estratégia dos EUA no Afeganistão colocará fuzileiros navais em pequenas bases

WASHINGTON ¿ A primeira maior operação que lançará tropas adicionais a caminho do Afeganistão, ordenada pelo presidente Barack Obama, planeja acabar com as bases do Taleban em províncias estratégicas do sul. E, em uma marcante despedida das práticas do passado, as unidades da Marinha ficarão em pequenos postos de operação, próximos às vilas onde protegerão e darão assistência, de acordo com o oficial militar sênior.

The New York Times |

NYT

Soldado americano lança um foguete em direção a posição do Taleban, em Nad Ali 

Apesar do número substancial de tropas e a capacidade de fogo, a estratégia não está isenta de riscos. Na verdade, nesta quinta-feira, já houve a primeira morte de um marinheiro em uma operação.

Mesmo que, anteriormente, os EUA e as forças aliadas tenham varrido a província de Helmand, matando ou capturando o máximo de guerrilhas possível, frequentemente com ataques aéreos, o exército nunca teve tropas terrestres suficientes para assegurar grandes áreas que foram tomadas por guerrilheiros da insurgência em operações de combate.

Nesse momento, a força de cerca de quatro mil fuzileiros, que chegaram apenas há algumas semanas, se uniu aos 650 soldados afegãos em uma operação na província Helmand, local das atividades do Taleban e maior produtora de papoulas de ópio, a maior fonte de ganho da insurgência.

O que eles realmente estão tentando fazer é criar e sustentar uma produção presente na província Helmand, incluindo tanto o combate do poder quanto as capacidades do envolvimento de civis, disse um oficial militar sênior.

Não é simples acabar com a influência do Taleban, mas tentaremos substitui-la por operações de segurança e reconstrução, acrescentou. Não é simples destruir o inimigo, mas proteger a população e melhorar a vida deles ajudará a impedir o retorno de elementos insurgentes.

Os comandantes prometeram que os fuzileiros permaneceriam em números significativos, montando diversas operações pequenas e bases logísticas entre a população. A tática foi essencial para o sucesso do que foi chamado de onda de tropas, no Iraque.

Os fuzileiros entraram em três cidades importantes, a 120 quilômetros do Rio Helmand ao sul de Lashkar Gah, nesta quinta, e se depararam com resistências esporádicas, que aumentaram ao londo da tarde, disse o porta-voz da Marinha.

Agora, as tropas estão presentes em Nawa e Garmsir, na província central de Helmand, e em Khan Neshin, ao sul do local, disse um porta-voz das forças da Marinha na província, capital Bill Pelletier. Ele descreveu o contato com combatentes do Taleban como, na maioria das vezes, bater e correr. Alguns marinheiros foram tratados por exaustão devido ao calor, porque as temperaturas chegam a 43º C, disse.

NYT

Helicópteros espalham areia no local onde tropas
britânicas se preparam para ir às bases de Helmand

A missão parece ter a intenção de mostrar aos moradores que as tropas estão lá para protegê-los e prevenir mortes civis, seja partindo da OTAN ou das forças americanas, seja das mãos do Taleban.
Pelletier disse que se, por exemplo, a Marinha não tivesse usado artilharia ou bombas no ataque, em um esforço para mostrar que a operação se concentrava mais em proteger a população do que em matar o inimigo.

O sucesso dessa operação dependerá de como a população a vê, não apenas da maneira como lidamos com o inimigo, disse.

Mas os perigos da missão do Iraque também estão assombrando essa operação.

Embora o exército dos EUA seja capaz de acabar com a insurgência da área e talvez até ter os números necessários para assegurar o território, as tropas serão expostas a uma emboscada e bombardeios na margem de estradas, enquanto patrulham vilas para proteger a população e fornecer segurança aos esforços da reconstrução. E continua obscuro a questão de se as agências civis que representam o Afeganistão, os EUA e os governos aliados estão preparados para comandar o trabalho de estabilização e reconstrução de forma rápida e bem-sucedida.

Ian C. Kelly, porta-voz do Departamento de Estado, em Washington, disse que dois civis ¿ um do Departamento do Estado e outro da Agência de Desenvolvimento Internacional ¿ estavam trabalhando em Helmand, e um oficial adicional de desenvolvimento chegaria nesta semana, com mais três em seguida, nas próximas semanas.

E, assim como no Iraque, não se sabe o tempo que levará até que as próprias forças afegãs sejam capazes de controlas a missão. A velocidade da operação é crucial no planejamento bem-sucedido, disse comandantes.

Há menos de oito semanas, o Secretário da Defesa Robert Gates visitou diversos fuzileiros que chegaram ao Campo Leatherneck, enquanto o exército dianteiro com mais de 20 mil tropas adicionais foram mandadas, por Obama, ao Afeganistão, um aumento que resultará na presença de cerca de 68 mil soldados.

No momento, muitos marinheiros ainda nem receberam os equipamentos, e os engenheiros de construção estavam em ocupados, construindo uma das maiores pista de decolagem do mundo, transformando o quente deserto em uma zona de pouso, ao colocar peças de aço unidas parecidas com blocos de Lego.

Se não tivéssemos colocado recursos neste combate, não estaríamos preparados para conduzir uma operação dessa escala, nessa rapidez, disse outro oficial militar sênior envolvido na missão.


Por THOM SHANKER e RICHARD A. OPPEL Jr.


Leia mais sobre Afeganistão

    Leia tudo sobre: afeganistãoeuamarinhamissão

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG