Estilo de McCain pode comprometer sua campanha

WASHINGTON ¿ O senador John McCain é tão rápido em pegar seu celular dourado para pedir conselhos ¿ para senadores, consultores da campanha, mesmo para um ex-secretário de imprensa ¿ que seus assessores tentam reduzir o tempo que dispõe para fazer ligações, preocupados com a tendência do candidato em adotar a última opinião que ouve.

The New York Times |

McCain é conhecido por aprovar grandes decisões de campanha e depois fazer suas próprias observações. Duas semanas atrás, ele discordou publicamente de sua própria porta-voz, Jill Hazelbaker, depois dela ter usado a linha de ataque contra senador Barack Obama que o candidato republicano havia aprovado após uma análise estratégica cuidadosa junto com sua campanha.

Assessores disseram que Hazelbaker deixou o quartel-general da campanha em Virgínia e se recusou a atender uma ligação de McCain para pedir desculpa e detalhar um plano para que todos os membros republicanos do Congresso adotassem a mesma linha de ataque sobre a viagem de Obama ao exterior que desmoronou.

Longe de seus ouvidos, McCain é chamado de "Tornado Branco" por algumas pessoas que trabalharam com ele por anos. Por toda sua campanha presidencial, ele tem sido o administrador de um reino em desacordo, de comandos não claros e atmosfera inconstante, o que mantêm seus assessores sob tensão. 

Mesmo agora, depois de uma sacudida que assessores dizem ter trazido no ultimo mês um grau incomum de ordem ao mundo desordenado de McCain, dois de seus analistas de pesquisa estão em desacordo sobre partes da mensagem da campanha, enquanto antigos e novos assessores trocam farpas debatendo sobre a validade dos ataques publicitários contra Obama.  

Divergências são saudáveis

Em entrevista, McCain disse que acredita que uma organização que conta com centros de poder em eventuais colisões assegura que um candidato, ou presidente, tenha informações completas. Você precisa ter opiniões que competem, disse.

Eu acredito que certo grau de tensão e de visões divergentes é saudável, alegou o candidato. Por causa da bolha que o presidente está inserido, e a bolha que o candidato está inserido, às vezes você se paga pensando eu deveria ter ouvido aquela opinião e assim sucessivamente. Então, eu aprecio e desejo alguma tensão; eu não quero muito disso, obviamente, porque precisamos de certa eficiência. Mas acredito que há um equilíbrio.  


McCain e seus assessores conversam durante viagem / NYT

McCain está faminto por informação. Freqüentemente é flagrado lendo jornais do começo ao fim, e assessores dizem que ele se dedica aos resumos que lhe são entregues toda noite. Seus assessores dizem que ele é especialmente estudioso quando o assunto é economia, uma área que ele admitiu ser uma fraqueza.

Como ex-piloto de guerra, McCain prega que é preciso improvisar sob pressão, citando a máxima militar de que nenhum plano sobrevive ao primeiro contato com o inimigo. As explosões de temperamento que seus colegas do Senado já presenciaram raramente são direcionadas aos seus subalternos. De fato, McCain tem o histórico de ser rodeado de pessoas que são intensamente leais a ele ¿ e que continuam assim mesmo depois de serem colocas para fora do barco.

Mas se o estilo de gerenciar de McCain o mantém bem informado e flexível, suas desvantagens têm sido especialmente evidenciadas nos freqüentes meses de turbulência desde que começou a campanha pela indicação republicana.  Essa situação mostra o contraste com a campanha de Obama, seu oponente democrata, que é rigidamente controlada e gerenciada de perto. McCain lembra o estilo livre do último senador republicano a receber a indicação do partido, Bob Dole, em 1996.

O estilo de McCain é contraditório, variando entre a tendência de falar de forma improvisada e a autenticidade "danem-se as conseqüências" de um lado, e a aceitação a contragosto da necessidade de se render à disciplina da política programada do outro.  Enquanto ele busca avidamente conselhos e opiniões divergentes, ele rotineiramente resiste aos conselhos políticos básicos, como quando assessores insistiram para que ele não fizesse campanha sentado em um sofá com forma de ferradura no fundo de seu ônibus, temerosos de que ele parecesse um velho rodando o país em um trailer. Ele se recusou.

Estilo comprometedor

A maneira como gerencia sua a campanha dá uma idéia de como ele pode administrar a Casa Branca. Ele pode, pelo que parece, ser um presidente intensamente interessado em assuntos (particularmente política externa) e aberto a opiniões conflitantes, mas também impetuoso às vezes e tolerante com um tipo de movimentação que pode prejudicar a tomada de decisão disciplinada ¿ mantendo seus assessores sob tensão.   

McCain também tolera, ou, dizem alguns assessores, encoraja, tensões nos altos escalões. Ele não fez nada para acabar a onda de especulações de que o ex-estrategista chefe da sua campanha, Mike Murphy, seria trazido de volta; boato que gerou tensão entre assessores que têm histórico conflituoso com Murphy. No fim, Murphy anunciou que estava aceitando um emprego na MSNBC.

Nas últimas semanas, Murphy e outro importante ex-assessor, John Weaver, criticaram os ataques publicitários de McCain contra Obama. Os dois homens pediram que Schmidt e Charlie Black, consultor sênior, gastassem mais tempo levantando McCain que derrubando Obama, conselho também oferecido por um membro do painel de consultores externos de McCain, Alex Castellanos. Eles enfrentaram forte resistência, de acordo com pessoas familiarizadas com o episódio.

Por ADAM NAGOURNEY e JIM RUTENBERG

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