Estátua cria disputa entre Japão e Coreia do Sul

Monumento em frente à Embaixada do Japão em Seul protesta contra abusos sexuais cometidos por japoneses na Segunda Guerra

The New York Times |

A menina adolescente, mas séria, veste roupas tradicionais coreanas e está sentada em um banco, com os pés descalços, as mãos no colo e os olhos fixos na Embaixada do Japão, em uma rua estreita no centro de Seul. Em menos de um dia, a estátua de bronze em tamanho real se tornou o centro de uma disputa diplomática entre Japão e Coreia do Sul.

A estátua, batizada Monumento da Paz, foi financiada com doações dos cidadãos coreanos e instalada na semana passada, antes da visita do presidente Lee Myung-bak a Tóquio no fim de semana.
Na ocasião, cinco mulheres em seus anos 80 e 90 anos de idade, que estavam entre as milhares forçadas à escravidão sexual pelos militares japoneses durante a Segunda Guerra Mundial, realizaram o milésimo protesto semanal em frente à embaixada.

AP
Mulheres sul-coreanas protestam ao redor de estátua instalada em frente à Embaixada do Japão em Seul (14/12)

Para elas e muitos outros sul-coreanos, a estátua - posicionada de forma que os diplomatas japoneses a vejam quando deixarem sua embaixada - traz uma mensagem clara: o Japão deveria reconhecer o que fez com cerca de 200 mil mulheres asiáticas, principalmente coreanas, que segundo os historiadores foram forçadas ou atraídas a trabalhar como prostitutas para os soldados japoneses.

O secretário-chefe do gabinete japonês, Osamu Fujimura, chamou a instalação da estátua de algo "extremamente lamentável" e disse que seu governo irá pedir que ela seja removida.

Autoridades sul-coreanas disseram que o Japão citou tratados internacionais que determinam que governos ajudem a proteger a dignidade das missões diplomáticas em seu país.

A Coreia do Sul deixou claro que não tem intenção de forçar os manifestantes a remover a estátua. "As vítimas têm mais de 80 anos de idade e estão desaparecendo. O governo não está em posição de pedir-lhes para remover a estátua", disse Cho Byung-jae, porta-voz do Ministério do Exterior.

"Ao invés de insistir na retirada da estátua, o governo japonês deve questionar seriamente o motivo de estas vítimas terem mantido suas manifestações semanais por 20 anos, sem nunca faltar uma semana, e se ele realmente não pode encontrar uma maneira de restaurar a honra que estas mulheres tão sinceramente desejam."

A questão das "mulheres de conforto", como eram chamadas pelos militares japoneses, está entre as disputas mais emotivas decorrentes do regime colonial japonês na Coreia, que durou de 1910 a 1945. As autoridades japonesas pediram desculpas, mas insistem que a questão foi resolvida pelo tratado de 1965, que normalizou as relações entre os dois países.

Em 1995, o Japão ofereceu a criação de um fundo de US$ 1 bilhão para as vítimas. Mas as mulheres rejeitaram esse plano, porque o dinheiro teria vindo de doações privadas, e não do governo. Eles têm insistido na reparação do governo aos indivíduos.

Por Choe Sang-Hun

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