Enquanto EUA buscam expandir presença na Ásia, China teme ameaça ao atalho para as entregas de petróleo do Oriente Médio

À medida que trabalhadores chineses cavam profundas trincheiras no solo laranja do norte de Mianmar com o intuito de construir gasodutos e oleodutos que transportarão produtos essenciais até a China, um dos maiores conglomerados de energia chineses compra terras na região e constrói escolas e postos de saúde para algumas das pessoas mais pobres do planeta.

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A compensação oferecida pela Corporação Nacional Chinesa de Petróleo reflete uma lição que a China aprendeu sobre como fazer negócios na nova e mais democrática Mianmar, lição que tiveram quando a construção de uma hidrelétrica chinesa foi suspensa no ano passado pois a postura da China foi considerada arrogante em relação às pessoas de Mianmar e seu meio ambiente.

Crianças em escola construída com dinheiro de companhia chinesa no vilarejo de Hman Pin, em Mianmar
NYT
Crianças em escola construída com dinheiro de companhia chinesa no vilarejo de Hman Pin, em Mianmar
A abordagem mais sútil também reflete cálculos rigorosos adotados devido a uma crescente batalha com os Estados Unidos por mais influência na região. Enquanto Mianmar abandona uma rígida ditadura militar e melhora suas relações com os Estados Unidos, a China teme uma ameaça à parceria estratégica que oferece acesso ao Oceano Índico e um importante atalho para as entregas de petróleo provenientes do Oriente Médio.

Com os EUA se reafirmando na Ásia e a China projetando o seu poder militar e econômico como nunca antes, cada lado está fazendo de tudo para conquistar a confiança de Mianmar.

O governo do presidente americano, Barack Obama, gostaria de obter sucesso imediato em questões que tocam a política externa. Conseguir participar do processo de mudança de um país que abandonando uma ditadura para adotar a democracia durante o governo Obama seria uma grande conquista política para ele, e ter um país aliado na fronteira com a China seria uma conquista estratégica para os americanos.

Sanções

Mas os EUA possuem uma fraqueza na hora de prestar qualquer tipo de assistência significativa devido a sanções econômicas impostas ao país e que o Congresso está relutante em remover.
Mianmar realizou eleições parlamentares no dia 1º de abril, mas ainda precisa resolver conflitos com suas minorias étnicas e libertar mais prisioneiros políticos para que mais de duas décadas de rígidas sanções possam ser removidas, disseram oficiais do governo americano.

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A China, principal patrocinadora de Mianmar há décadas, quer manter um relacionamento que possa permitir o acesso irrestrito aos recursos energéticos de Mianmar. Mas os chineses, acostumados à inabalável lealdade de Mianmar nas Nações Unidas e outros fóruns diplomáticos, estão sendo confrontados com um novo governo liderado pelo presidente Thein Sein, que mostrou sinais de querer ser menos dependente de sua velha amiga e mais voltado às preocupações de seus cidadãos.

*Por Jane Perlez

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