Estados Unidos e China lutam por influência em Mianmar

Enquanto EUA buscam expandir presença na Ásia, China teme ameaça ao atalho para as entregas de petróleo do Oriente Médio

The New York Times |

À medida que trabalhadores chineses cavam profundas trincheiras no solo laranja do norte de Mianmar com o intuito de construir gasodutos e oleodutos que transportarão produtos essenciais até a China, um dos maiores conglomerados de energia chineses compra terras na região e constrói escolas e postos de saúde para algumas das pessoas mais pobres do planeta.

Eleições legislativas: Partido de Nobel da Paz conquista 40 de 45 cadeiras

A compensação oferecida pela Corporação Nacional Chinesa de Petróleo reflete uma lição que a China aprendeu sobre como fazer negócios na nova e mais democrática Mianmar, lição que tiveram quando a construção de uma hidrelétrica chinesa foi suspensa no ano passado pois a postura da China foi considerada arrogante em relação às pessoas de Mianmar e seu meio ambiente.

NYT
Crianças em escola construída com dinheiro de companhia chinesa no vilarejo de Hman Pin, em Mianmar
A abordagem mais sútil também reflete cálculos rigorosos adotados devido a uma crescente batalha com os Estados Unidos por mais influência na região. Enquanto Mianmar abandona uma rígida ditadura militar e melhora suas relações com os Estados Unidos, a China teme uma ameaça à parceria estratégica que oferece acesso ao Oceano Índico e um importante atalho para as entregas de petróleo provenientes do Oriente Médio.

Com os EUA se reafirmando na Ásia e a China projetando o seu poder militar e econômico como nunca antes, cada lado está fazendo de tudo para conquistar a confiança de Mianmar.

O governo do presidente americano, Barack Obama, gostaria de obter sucesso imediato em questões que tocam a política externa. Conseguir participar do processo de mudança de um país que abandonando uma ditadura para adotar a democracia durante o governo Obama seria uma grande conquista política para ele, e ter um país aliado na fronteira com a China seria uma conquista estratégica para os americanos.

Sanções

Mas os EUA possuem uma fraqueza na hora de prestar qualquer tipo de assistência significativa devido a sanções econômicas impostas ao país e que o Congresso está relutante em remover.
Mianmar realizou eleições parlamentares no dia 1º de abril, mas ainda precisa resolver conflitos com suas minorias étnicas e libertar mais prisioneiros políticos para que mais de duas décadas de rígidas sanções possam ser removidas, disseram oficiais do governo americano.

Aung San Suu Kyi : Eleição em Mianmar coloca prestígio de Nobel da Paz em risco

A China, principal patrocinadora de Mianmar há décadas, quer manter um relacionamento que possa permitir o acesso irrestrito aos recursos energéticos de Mianmar. Mas os chineses, acostumados à inabalável lealdade de Mianmar nas Nações Unidas e outros fóruns diplomáticos, estão sendo confrontados com um novo governo liderado pelo presidente Thein Sein, que mostrou sinais de querer ser menos dependente de sua velha amiga e mais voltado às preocupações de seus cidadãos.

*Por Jane Perlez

    Leia tudo sobre: Aung San Suu Kyimianmarnobel da pazeleição em mianmareuachinapetróleo

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG