Estados Unidos devem aliviar regras para viagens a Cuba

Autoridades do governo Obama afirmam que objetivo é promover maior contato entre pessoas dos dois países, sem alterar embargo

The New York Times |

O governo Obama pretende ampliar as oportunidades para os americanos viajarem a Cuba, na última etapa de um programa que visa promover um maior contato entre as pessoas de ambos os países, deixando intacto o embargo contra o governo comunista da ilha que já dura décadas, de acordo com autoridades do governo.

As autoridades, que pediram para não ser identificadas por não ter autorização para discutir a política antes de ela ser anunciada, disseram que o objetivo é relaxar as restrições sobre grupos acadêmicos, religiosos e culturais que foram aprovadas durante o governo do ex-presidente George W. Bush, e retomar as políticas “do povo para o povo” adotadas pelo ex-presidente Bill Clinton.

Essas políticas, segundo os oficiais, promoveram um intercâmbio robusto entre Estados Unidos e Cuba, permitindo que grupos – incluindo universidades, equipes esportivas, museus e câmaras de comércio – compartilhassem conhecimento, bem como experiência de vida.

Analistas políticos dizem que as mudanças irão marcar uma transformação significativa na política americana em relação a Cuba. No início de 2009, o presidente Barack Obama levantou as restrições sobre viagens e envio de remessas de dinheiro apenas para americanos com parentes na ilha.

Assessores do Congresso advertiram que alguns oficiais do governo ainda veem as propostas como politicamente voláteis demais para que sejam anunciadas antes das próximas eleições e disseram que revisões poderão ser feitas.

De fato, a nova política deve expandir os canais atuais para viajar a Cuba, ao invés de criar novos. Grupos acadêmicos, religiosos e culturais já estão autorizados a viajar sob regras muito rigorosas. Por exemplo, alunos que queiram estudar em Cuba são obrigados a permanecer pelo menos 10 semanas no país. E só as universidades credenciadas podem solicitar vistos acadêmicos.

Com a nova política, essas restrições seriam flexibilizadas, disseram os oficiais. E instituições acadêmicas - incluindo grupos de pesquisa, defesa e museus - seriam capazes de pedir vistos para a permanência por até dois anos.

Além disso, o governo também está planejando permitir voos para Cuba a partir de mais cidades do país - além de Miami, Nova York e Los Angeles, locais nos quais são atualmente permitidos.

E há propostas, segundo os oficiais, para permitir que qualquer americano possa enviar remessas de dinheiro ou doações para igrejas, escolas e grupos de direitos humanos em Cuba.

Tal como acontece com tudo a respeito de Cuba, a nova política parece cheia de complicações. Obama, que chegou ao cargo prometendo abrir novos canais de engajamento com a ilha, até agora tinha limitado as novas aberturas para os cubano-americanos, em parte por causa de interesses políticos, e também porque a atenção de seu governo estava voltada a questões mais urgentes de política externa, incluindo suas duas guerras.

“Estamos lidando com uma relação tão difícil que seriam necessários mais 50 anos de passos lentos para analisá-la e revê-la de uma maneira construtiva”, disse Robert Pastor, professor de Relações Internacionais da Universidade Americana. “Mesmo assim, estamos tendo dificuldades em dar estes pequenos passos, quando o que precisamos é de um salto gigantesco”.

Por Thompson Gynger

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