Estados Unidos ajudam Taleban a participar de negociações

Em seu nono ano de guerra, país do sul da Ásia precisa negociar com insurgentes processo de paz

The New York Times |

Forças lideradas pelos Estados Unidos estão ajudando na circulação de líderes do Taleban para que eles participem de negociações de paz em Cabul, a indicação mais clara de apoio do país a discussões de alto nível que visam acabar com a guerra no Afeganistão, afirmaram oficiais da Otan e do governo Obama.

Ainda que as conversas envolvam altos membros do Taleban, os oficiais enfatizaram que elas são preliminares e que não poderiam dizer o quão sério é o envolvimento dos insurgentes – ou do frágil governo do presidente afegão, Hamid Karzai – para que se chegue a um acordo.

AP
Crianças afegãs brincam em casa destruída em combates, em Cabul (9/10/210)
Mas os comentários de oficiais do governo em Washington e de um oficial veterano da Otan em Bruxelas indicaram que os Estados Unidos estão se esforçando mais para encorajar um acordo pacífico no Afeganistão do que os oficiais haviam divulgado anteriormente e isso pode refletir um pessimismo cada vez maior de que as forças dos Estados Unidos no país consigam avançar definitivamente contra a insurgência Taleban.

O oficial da Otan confirmou que "houve envolvimento de membros do alto escalão do Taleban e dos mais altos níveis do governo afegão". Embora as conversações sejam preliminares, disse ele, a perspectiva de negociar um acordo para o fim da guerra, agora com nove anos, é tão atraente que as nações da Otan no Afeganistão, “chegaram a facilitar diferentes graus de contatos”, permitindo que líderes do Taleban viajem para a capital do Afeganistão.

Karzai

Karzai vem tentando há vários meses convencer os líderes do Taleban a participar de seu governo e suas propostas se intensificaram no final do ano passado, depois que o presidente Barack Obama disse que pretende começar a diminuir as tropas americanas no Afeganistão até o verão de 2011.

Autoridades dos EUA já havia insistido que tais negociações são um espetáculo à parte ao esforço principal de guerra e que é improvável que produzam resultados até que o Taleban se sinta enfraquecido pelos ataques intensificados da Otan.

Agora, alguns oficiais parecem ansiosos para mostrar que estão adotando uma nova abordagem no Afeganistão, que explora uma possível solução política mesmo quando os militares tentam aumentar a pressão sobre o Taleban.

O principal comandante dos EUA no Afeganistão, o general David H. Petraeus, disse a repórteres no país recentemente que os líderes de alto escalão do Taleban entraram em contato com altos oficiais afegãos para iniciar negociações.

Em Washington, as autoridades têm sido cautelosas sobre as perspectivas para uma solução pacífica. Obama revelou uma política no início deste ano na qual as negociações são possíveis, desde que líderes do Taleban, no final do processo, concordem em renunciar à violência, depor as armas e prometam fidelidade à Constituição afegã.

Em agosto, segundo dois oficiais de alto escalão dos Estados Unidos, Obama foi atualizado sobre o progresso dos esforços e reafirmou que os Estados Unidos devem ajudar no processo, mesmo que o Taleban esteja envolvido nas negociações represente apenas facções dissidentes do grupo insurgente.

"Não estamos esperando que o mulá Omar entre pela porta", disse um oficial sênior do governo. "Mas tem havido interesse de comandantes de alguns postos abaixo".


*Por Thom Shanker, David E. Sanger e Eric Schmitt

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