Estados árabes alinhados com EUA saboreiam tumultos no Irã

CAIRO - A rancorosa disputa pela eleição presidencial do Irã pode se mostrar vantajosa para os líderes árabes alinhados com Washington, que no passado reclamaram que o presidente Mahmoud Ahmadinejad desestabilizava a região e os assuntos árabes, afirmaram analistas políticos e ex-oficiais de toda a região.

The New York Times |

A ideia é que com Ahmadinejad permanecendo no cargo, há menor chance de que as relações entre Teerã e Washington melhorem, algo que os aliados árabes dos americanos temem que prejudicaria seus interesses. Ao mesmo tempo, o conflito eleitoral pode ter enfraquecido a liderança iraniana em casa e no exterior, forçando o foco na estabilidade doméstica, disseram analistas políticos e ex-oficiais.

"Quando o Irã é forte e desafiador, bem como quando ele é mais alinhado com o Ocidente, eles não gostam", disse Adnan Abu Odeh, ex-conselheiro do Rei Hussein da Jordânia.

Claro, tal resultado pode se mostrar apenas um desejo inatingível, alertam os analistas. Outros poderes centrais no Irã, do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, aos militares, podem ter mais influência na política da região do que o presidente. Também é possível que uma profunda divisão da liderança possa exacerbar a tensões regionais para distrair a atenção de seus problemas domésticos.

O impasse iraniano também pode ser um alerta aos líderes árabes que têm observado tecnologias modernas, como a internet e celulares, que novamente prejudicam a capacidade de Estados autoritários em controlar o acesso e a distribuição de informações.

Mas as diferenças culturais entre Irã e os Estados árabes são tão grandes que não há temor entre os outros líderes de que seu povo se inspire a um levante. O Irã é um país importante e influente no Oriente Médio, mas também está longe da maioria sunita árabe por ser um país de maioria persa cuja população é formada por xiitas.

"Muitos jovens do mundo árabe adorariam ver algo assim, mas o estilo da sociedade civil faz com que isso seja mais possível no Irã do que em lugares como o Egito e a Arábia Saudita", disse Ahmed al-Omran, estudante universitário da Arábia Saudita e autor do popular blog saudijeans.org.

Além disso, os dramáticos vídeos de iranianos sendo presos ou apanhando da milícia Basij danificaram a imagem do país como Estado mais populista e religiosamente puro da região.

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