Estado aperta o cerco e aumenta censura eletrônica na China

Além de proibir sites na internet, governo corta ligações de celulares suspeitas, mensagens eletrônicas e emails

The New York Times |

Getty Images
Estudante mexe no celular antes de apresentação de dança comemorativa em Pequim; além da internet, governo chinês censura conversas ao telefone (foto de arquivo)

Se alguém se pergunta se o governo chinês ampliou seu domínio sobre as comunicações eletrônicas desde que os protestos começaram a se dissipara pelo mundo árabe, Shakespeare pode ser a melhor resposta.

Um empresário de Pequim, discutindo opções de restaurante com sua noiva ao celular, citou a resposta da rainha Gertrudes, de Hamlet: "A senhora protesta em demasia". Na segunda vez que ele disse a palavra protesto, a ligação foi cortada. Ele falava em inglês, mas um outro interlocutor que repetiu a mesma frase dias depois em chinês, usando um celular diferente, também teve sua ligação cortada.

Uma série de evidências nas últimas semanas mostram que as autoridades chinesas estão mais determinadas do que nunca a policiar as ligações em telefones celulares, mensagens eletrônicas, emails e pela internet, a fim de sufocar qualquer indício de sentimento contrário ao governo.

No jogo de gato e rato que caracteriza as comunicações eletrônicas no país, os analistas sugerem que o gato está ficando cada vez maior, especialmente desde que revoltas começaram a eclodir no Oriente Médio e norte da África, e os esforços caseiros para organizar protestos em cidades chinesas começaram a circular na internet há de um mês.

"Os linha-dura ganharam espaço e agora estamos vendo exatamente como eles querem governar o país", disse Russell Leigh Moses, um analista da liderança da China baseado em Pequim. "Eu acho que ele estão começando a usar todo o seu poder”.

Recentemene, o Google acusou o governo chinês de interromper seu serviço Gmail no país e fazer com que isso parecesse problemas técnicos da empresa – e não intervenção do governo.

Rede

Vários serviços de redes virtuais privada, ou VPN, destinados a iludir os censores informatizados do governo, têm sido derrubados. Isso levou a um protesto de usuários e os enviou em uma busca frustrante por serviços que podem perfurar a chamada Great Firewall, um menu de censura direta e "orientação de opinião" que restringe o que os usuários da internet podem ler ou escrever online.

A China tem tratado o Google como uma ameaça há algum tempo. No ano passado, o Google fechou seu serviço de busca e redirecionou os usuários chineses para o site do Google em Hong Kong depois que a companhia disse que a China estava por trás de um ataque cibernético destinado, em parte, às contas do Gmail.

Mas Moses disse que essa última ação contra o Gmail e outras formas de comunicações eletrônicas vão mais longe. "O modelo desse governo é cada dia ter um novo desafio e uma nova oportunidade para mostrar a força do Estado”, disse ele. "Há uma confiança clara na capacidade das autoridades políticas em manter a ordem”.

*Por Sharon La Franière e David Barboza

    Leia tudo sobre: chinacensurainternetcelular

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG