Estabilidade do Egito depende de uma força militar dividida

Vistos como chave para o futuro do país e equilíbrio no mundo árabe, militares egípcios serão fundamentais na transição de governo

The New York Times |

AP
Foto de maio de 2009 mostra Mohamed Hussein Tantawi (E) com o secretário de Defesa americano, Robert Gates, no Cairo
Um dossiê confidencial enviado da Embaixada dos Estados Unidos no Cairo para Washington, em 2008, relatou que um corpo de oficiais egípcios descontentes se referiam ao poderoso ministro da Defesa do país, o marechal Mohamed Tantawi, como o "poodle de Mubarak" – uma pessoa incompetente e arcaica, mas leal ao presidente.

Outro dos dossiês confidenciais da embaixada obtidos pelo site WikiLeaks revelou críticas ainda mais duras a Tantawi. O general David H. Petraeus, então chefe do Comando Central dos Estados Unidos, afirmou que sob a liderança do marechal, "a preparação tática e operacional das Forças Armadas egípcias decaiu”. No entanto, o dossiê de dezembro de 2008 concluiu, ele "tem o apoio de Mubarak e poderia facilmente permanecer na posição pelos próximos anos".

Enquanto uma revolução sacode as instituições do Egito, o governo Obama está abraçando um processo de transição apoiado por Tantawi e outros altos líderes militares, que facilitaria a saída do poder de seu benfeitor de longa data, o presidente Hosni Mubarak.

Mas, independentemente de quem irá se tornar o novo presidente depois das eleições de setembro, as autoridades americanas dizem que os ricos e sigilosos militares egípcios são a chave para o futuro do país e, por extensão, a estabilidade do mundo árabe.

Autoridades do governo admitem, no entanto, que há muito que não sabem sobre uma instituição que funciona como uma economia paralela no país, como uma espécie de corporação envolvida na produção extensiva de produtos eletrônicos, eletrodomésticos, roupas e também alimentos.

Embora o Pentágono há muito venha promovendo sua íntima ligação com o Exército egípcio, que recebe US$ 1,3 bilhões anualmente em ajuda dos Estados Unidos, oficiais de alto escalão admitem que nem o secretário de Defesa Robert M. Gates, nem o almirante Mike Mullen, chefe do Estado-Maior conjunto americano, têm relacionamentos especialmente profundos com os egípcios.

As autoridades americanas também não têm certeza sobre a posição da liderança militar egípcia, que simpatiza com os manifestantes, e se ela poderia romper com os generais ligados a Mubarak. Especialistas acham que, por enquanto, as chances de uma separação são escassas.

Influência

Embora o Exército egípcio tenha sido amplamente descrito na imprensa local durante a semana passada como um órgão que atrai o respeito da população, o dossiê diz que na elite a sua influência diminuiu.

No fim de semana pareceu claro que Tantawi e seu pequeno círculo de militares haviam pesado sua lealdade pessoal a Mubarak e a ameaça que a crise representa aos militares, e ter escolhido sua própria sobrevivência.

O governo egípcio anunciou que o mais importante membro do círculo, Omar Suleiman, o novo vice-presidente e um ex-oficial militar, conduzirá a transição apoiado pelos militares para as eleições de setembro. Para analistas políticos, ao que tudo indica, ele já está governando no lugar de Mubarak.

*Por Elisabeth Bumiller

    Leia tudo sobre: egitoforças armadasexércitoprotestoshosni mubarak

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG