Espionagem doméstica será primeiro teste de Obama como presidente eleito

WASHINGTON - O presidente eleito Barack Obama terá que tomar uma série de decisões precoces sobre a espionagem doméstica que será o primeiro teste da postura de sua gestão em relação ao poder presidencial e às liberdades civis.

The New York Times |

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O Departamento de Justiça terá que responder a pedidos legais movidos contra o programa de escutas domésticas da Agência de Segurança Nacional e terá que decidir se continuará a usar as táticas perpretadas pela gestão Bush (que usava alegações sobre a segurança nacional e "segredos de Estado" para tentar evitar esta situação) ou concordar em revelar mais informações ao público sobre como o programa é realizado.

Quando assumir o cargo, Obama irá herdar mais poder de espionagem doméstica do que qualquer outro presidente em mais de 30 anos, mas ele pode se ver numa situação difícil ao pesar os prós e contras de como lidar com a questão.

AP
Obama: poder de espionagem nas mãos
Como candidato, ele condenou as operações da ASN como ilegais, e ameaçou obstruir uma lei que daria ao governo ainda mais poder de vigilância e imunidade às companhias telefônicas que ajudaram no programa de escutas sem mandato da gestão Bush. Mas Obama mudou de posição e ultimamente apoiou a medida no Senado, irritado defensores liberais que o acusaram de ceder às pressões da direita.

Assessores de Obama parecem divididos sobre a possibilidade dele pressionar pela investigação dos programas de escuta doméstica, que foram realizados entre setembro de 2001 e dezembro de 2005.

Obama recentemente passou a receber informações confidenciais sobre operações de inteligência de Mike McConnell, diretor da inteligência nacional. A equipe de transição de Obama se recusou a dizer se o presidente eleito foi informado sobre as operações de escuta da agência.

Sua equipe de transição também se recusou a falar sobre suas opiniões atuais sobre a espionagem doméstica ou como sua gestão responderia aos desafios legais crescentes. Mas os debates entre advogados envolvidos no programa não foram poucos.

"Eu não acho que o presidente eleito Obama abrace a teoria de Dick Cheney de um poder presidencial inabalável", disse Jon B. Eisenberg, advogado de São Francisco envolvido em processos contra o programa de escutas. "Então, se esta é sua postura, esperamos uma mudança em como a nova gestão lidará com a questão".

Mas outros analistas políticos sugerem que Obama, como presidente, pode estar mais disposto a aceitar os amplos poderes presidenciais que condenou como candidato, principalmente uma vez que o Congresso aprovou a expansão dos poderes de vigilância do governo.

Na proposta que Obama decidiu apoiar em junho, o Congresso definiu um novo âmbito de vigilância que deu às autoridades da inteligência maior autoridade para escutar comunicações internacionais sem aprovação da corte.

Por JAMES RISEN e ERIC LICHTBLAU

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