Esperança faz com que refugiados retornem para Darfur

Mais de 100 moradores da conflituosa região do Sudão deixaram acampamentos onde estavam há quase uma década para voltar para casa

The New York Times |

Em toda Darfur , mais de 100 mil pessoas deixaram os acampamentos onde se refugiaram há quase uma década e voltaram para suas aldeias ao longo do ano passado, o maior retorno de pessoas deslocadas desde o início da guerra em 2003 e um sinal de que um dos conflitos mais famosos do mundo pode ter, decisivamente, diminuído.

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Os milhões de civis que fugiram para os campos, deixando para trás casas muitas vezes reduzidas a cinzas por assaltantes armados, estão entre um dos legados mais inesquecíveis do conflito em Darfur, transformando a paisagem rural em uma coleção de favelas improvisadas.

E embora as milhares de pessoas que estão voltando para casa sejam apenas uma pequena fração do total da população deslocada de Darfur, elas estão fazendo isso voluntariamente, de acordo com os oficiais da Organização das Nações Unidas, oferecendo um dos sinais mais concretos de esperança que essa região do Sudão presenciou nos últimos anos.

"É incrível", disse Dysane Dorani, chefe da missão de paz da ONU para o setor ocidental de Darfur. "As pessoas estão se unindo. Isso me lembra o Líbano após a guerra civil."

Cidade fantasma

Se alguma vez existiu uma cidade fantasma nesse país, tratava-se da aldeia de Nyuru. Localizada em uma colina na região oeste de Darfur, foi ali que inúmeras pessoas foram mortas a tiros por homens a cavalo ou apunhaladas com pequenas facas quando essa região do Sudão começou a sofrer com um constante derramamento de sangue em 2003. Depois disso, todo mundo fugiu e permaneceu longe por muitos anos.

Mas em uma manhã recentemente, milhares de moradores de Nyuru estavam de volta em sua terra fazendo todas as coisas que costumavam fazer, lavando roupa, fazendo tranças em seus cabelos, peneirando grãos e preparando uma festa conjunta de agricultores e nômades.

As vítimas e os ex-agressores viriam se sentar lado a lado, alguns juntos pela primeira vez desde que a guerra eclodiu, compartilhando pratos de macarrão e milho - e até mesmo eventualmente uma dança - como um gesto informal de reconciliação.

Mas, claro, nem tudo está bem em Darfur.

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Mais de 2 milhões de pessoas ainda permanecem presas em deslocamento interno ou acampamentos para refugiados em outros países. Alguns grupos rebeldes ainda continuam na ativa. Mas as pessoas que foram vitimadas e traumatizadas estão percebendo uma mudança no ar e agindo de acordo com ela, arriscando suas vidas e as vidas de seus filhos ao deixar a relativa segurança dos acampamentos e aventurar-se de volta para onde seus entes queridos foram mortos.

Abdallah Mohamed Abubakir, um agricultor, recentemente também trouxe sua família de volta para Nyuru. "As coisas não estão perfeitas ainda, mas estão ficando cada vez melhores", contou.

*Por Jeffrey Gettleman

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