Especialista vê barril de petróleo a US$ 200 em menos de dois anos

Arjun N. Murti lembra da dor dos conflitos por petróleo dos anos 1970. Mas ele acredita em algo muito pior agora: ele prevê um superpico - um aumento nos preços que elevaria rapidamente o valor do barril de petróleo cru a US$200 em menos de dois anos.

New York Times |

Murti, que tem um veio ecológico, não se preocupa demais com a possível alta no preço dos combustíveis, acreditando que isso poderá finalmente levar a América a uma era de energias mais eficientes.

Analista do banco de investimentos Goldman Sachs, Murti se tornou a voz do mercado petrolífero. Há alguns anos, seus rivais riam quando ele previa que o valor do barril chegaria a US$ 100. Poucos riem agora. Na terça-feira, o petróleo chegou a US$ 129.60 na bolsa de mercadorias de Nova York.

Murti, 39, argumenta que a sede mundial pelo combustível irá manter os preços acima de US$100 até 2011. Outros dizem que os preços podem cair abruptamente caso especuladores financeiros busquem a saída.

Nesse clima incerto, analistas de petróleo como Murti assumiram a aura que anteriormente envolvia os especialistas em tecnologia. "Esta na moda escrever sobre o assunto", disse Kevin Norrish, analista de mercadorias do Barclays Capital.

Nos anos 1990, muitos analistas assumiam que o preço do petróleo ficaria entre US$ 15 e US$ 20 o barril para sempre. Eles imaginavam que, caso os preços subissem demais, os consumidores começariam a economizar e os fornecedores aumentariam a produção, ou ambos, causando a queda nos preços.

Mas na virada do século, as companhias petrolíferas começaram a não conseguir atingir as metas de produção. Em 2004, Murti concluiu que o mundo se dirigia a uma crise de fornecimento que iria disparar os preços. Naquele verão, enquanto o petróleo era vendido a US$40 o barril, ele criou sua expressão mais famosa: superpico.

Em março do ano seguinte, ele previu que os preços chegariam a US$ 105, sacudindo o mercado. Com o tempo, Murti se mostrou certo. O petróleo ultrapassou o valor de US$ 100 em fevereiro.

"Mesmo se você discorda da posição deles, o problema é que (o banco de investimentos) Goldman tem muita credibilidade", disse Nauman Barakat, vice-presidente do setor de energia global do Macquarie Futures USA. "Muitos negociantes compram e vendem de acordo com seus relatórios".

Murti desacredita da sugestão de que seus relatórios afetam os preços do mercado. "Quando um analista melhora ou piora uma mercadoria pode-se ter uma reação naquele dia, mas depois de um dia são os fundamentos que vencem", ele disse.

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