Espanha propõe perdão para combater imigração ilegal

MADRID, Espanha ¿ Na região sul da Espanha, são muitos os imigrantes, e também os planos para a absolvição.

The New York Times |

Ao longo das duas últimas décadas, Espanha, Itália, Portugal e Grécia implantaram ao menos 15 programas de legalização, incluindo um esforço da Espanha, um dos maiores do continente, há três anos. Sem muita oposição dentro do país, a Espanha legalizou 600 mil trabalhadores africanos, latino-americanos e europeus vindos do leste que auxiliaram no crescimento da economia e trouxeram para o país resistência e tensão em relação à diversidade.

Imigrantes dizem que o cartão de trabalhador recebido trouxe melhores salários, tranqüilidade para a consciência e reuniu famílias antes separadas. Mas os críticos dizem que a legalização atraiu ainda mais imigrantes - com aumento de riscos para os países vizinhos ¿ e avisam que uma diminuição na velocidade da economia colocaria a Espanha e os estrangeiros em divergência.

Entre os beneficiados com a legalização está o casal equatoriano Inácio Cantos e Sandra Delgado. A legalização aumentou seus salários e acabou com o medo que tinham dos policiais, que já prenderam Cantos uma vez por ele não possuir os documentos de trabalhador. O casal apóia a legalização, mas divergem sobre o ponto ressaltado pelos críticos ¿ que as regulamentações atraem ainda mais imigrantes ilegais.

"Eu não acredito," diz Cantos, motorista de caminhões que argumenta que os imigrantes se mudam por desespero, não com expectativas de serem legais. Eu nem sabia o que significava a regularização.
Mas Sandra afirma que repetidas anistias podem ser um atrativo. As pessoas passam a acreditar que podem conseguir seus documentos quase imediatamente, diz ela.

A Europa recorreu a aproximadamente 20 programas de regularização nos últimos 25 anos, fornecendo documentos para moradia para aproximadamente 4 milhões de pessoas. Itália e Espanha são responsáveis por dois terços do total, para a preocupação do continente que vê a região sul como uma porta de entrada. Com movimentação livre por grande parte da Europa, os imigrantes legais podem facilmente chegar ao norte, alarmando aqueles que se preocupam com o mercado de trabalho, custo de vida, choques culturais e terrorismo. 

Nenhum outro país implantou mais programas de regularização que a Espanha, foram seis desde 1985. Há uma década, os imigrantes compunham menos de 2% da população. Agora são mais de 10%. Cerca de 40% chegam do leste e norte europeu; 38% são latino-americanos; e 20% são da África.

As regulamentações ocorreram tanto em governos conservadores como em socialistas. A Espanha ainda oferece aos imigrantes, ilegais ou não, programas de saúde gratuitos.

A atitude em relação a um imigrante ilegal é muito menos rigorosa que nos EUA, disse Joaquin Arango, sociólogo da Universidade Complutense de Madrid.

Por JASON DePARLE

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