Esforço de paz israelense repousa sobre os ombros de Netanyahu

Apesar de falta de objetivos em comum entre palestinos e israelenses, premiê de Israel está no auge do poder político e sem rivais

The New York Times |

David Rubinger, um dos fotógrafos mais conhecidos de Israel e homem forte da esquerda política, votou em Benjamin Netanyahu para primeiro-ministro no ano passado, a primeira vez em que votou a favor do Partido Likud, de tendência de direita.

“A esquerda quer paz, mas não tem como institui-la, enquanto a direita não a quer, mas se forçada, pode institui-la”, disse ele em entrevista. “Por isso, no ano passado eu decidi não votar com o meu coração, mas com a minha cabeça”.

No momento em que Netanyahu se reuniu com a secretária de Estado americana, Hillary Rodham Clinton, e o presidente palestino, Mahmoud Abbas, no Departamento de Estado na quinta-feira para dar início as negociações diretas de paz, a teoria de Rubinger – e não apenas dele – passou a ser testada.

Será que o líder israelense, que construiu sua carreira na oposição a um Estado palestino, será o único responsável por ajudar a criá-lo?

AP
Presidente palestino, Mahmud Abbas, cumprimenta o premiê israelense, Benyamin Netanyahu, na Casa Branca em 1.º de setembro de 2010
Mais ainda que seus próprios assessores, Netanyahu parece acreditar que um acordo pode ser atingido sob a sua orientação. Ele não quer entregar as negociações nas mãos de comitês de especialistas, mas se encontrar pessoalmente com Abbas a cada duas semanas.

Um sinal de que Netanyahu está pronto para fazer um acordo é a sua sugestão de que as negociações serão mantidas por um período de um ano, de acordo com oficiais americanos e israelenses.

O ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, que é a do Partido Trabalhista de tendência esquerdista, disse ao jornal israelense Haaretz: “Se Netanyahu liderar o processo, um número significativo de ministros da direita estará do seu lado”.

Mas também pode ser, como críticos da esquerda mantêm, que Netanyahu está mais concentrado em projetar uma imagem de pacificador a fim de manter o governo Obama do seu lado na questã que mais o preocupa – a luta contra o Irã.

Ainda não está claro se os termos de qualquer acordo de dois Estados que ele irá propor podem ser aceitáveis para os palestinos.

Exigências

Netanyahu tem dito muitas vezes que tem três exigências para um acordo. A possibilidade de contrabando de foguetes e outras armas para o Estado palestino deve ser evitada, Israel deve ser reconhecido como o Estado do povo judeu pela liderança palestina e o acordo deve declarar um fim completo para o conflito.

Abbas não aceitou nenhuma das condições e tem suas próprias preocupações – a necessidade de encerrar a construção de assentamentos israelenses na Cisjordânia e em Jerusalém oriental e o direito dos refugiados palestinos de voltar para suas casas em regiões que hoje pertencem a Israel. Netanyahu tem rejeitado categoricamente tais propostas.

Diante de líderes que não têm objetivos em comum, as perspectivas para as negociações são pessimistas, mas Netanyahu parece estar em uma posição excepcionalmente forte politicamente.

“Netanyahu está no auge de seu poder político como ninguém mais esteve em pelo menos uma geração”, disse Aluf Benn, editor e colunista do Haaretz, à Rádio do Exército na terça-feira. “Ele não tem rival. Pode fazer o que quiser”.

*Por Ethan Bronner

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