Escolha de Petraeus para chefiar CIA dificulta relações com Paquistão

Liderança militar paquistanesa não considera general amigo; Petraeus se mostra indignado com 'apoio' da espionagem local a insurgentes

The New York Times |

A indicação do general David H. Petraeus como diretor da Agência Central de Inteligência americana, a CIA, coloca-o mais diretamente do que nunca em conflito com o Paquistão, cuja liderança militar não o considera um amigo e onde agora ele terá controle direto sobre a campanha aérea de bombardeios no país que o Exército paquistanês diz querer interromper.

Autoridades paquistanesas e americanas disseram que a seleção de Petraeus poderia inflamar ainda mais as relações entre as duas nações, que já se encontram em um de seus pontos mais baixos, com
recriminações sobre uma miríade de questões feitas publicamente como nunca antes.

The New York Times
Petraeus em audiência no Comitê dos Serviços Armados do Senado americano (29/6/2010)
O geralmente sigiloso líder do Exército paquistanês, o general Ashfaq Parvez Kayani, não tem feito segredo sobre o seu desgosto a respeito da escolha de Petraeus, chamando-o de um general político.

Petraeus tem expressado indignação com o que os oficiais americanos dizem ser o apoio mais flagrante da espionagem paquistanesa aos insurgentes com base no Paquistão, que realizam
ataques contra as tropas americanas no Afeganistão.

Relações Contraditórias

Oficiais de ambos os lados dizem acreditar que as relações entre as duas nações se "tornarão cada vez mais contraditórias conforme se aproximam do fim do conflito no Afeganistão, onde o Paquistão e os
Estados Unidos tem profundos – e conflitantes – interesses de segurança”.

Reparar as relações estremecidas entre a CIA e a agência de espionagem do Paquistão, conhecida como Diretório de Interserviços de Inteligência, vai ser difícil, dizem as autoridades americanas. "Em
sua forma atual, a relação é praticamente inviável", disse Dennis C. Blair, ex-diretor de inteligência nacional americana. "Tem de haver uma grande reestruturação. O ISI (serviço de inteligência paquistanês) atrapalha a CIA como quer e não paga por isso”.

Um oficial paquistanês descreveu as tensões cada vez maiores como um jogo de "malabarismo político", com o almirante Mike Mullen, que como chefe do Estado-Maior tem sido o homem da administração Obama que fala sobre a política em relação ao Paquistão, e Kayani cada vez mais impacientes por suas dezenas de visitas ao longo dos últimos anos terem gerado poucos resultados.

Mullen surpreendeu as autoridades paquistanesas publicamente ao acusar o ISI de abrigar combatentes da rede Haqqani, uma aliada do Taleban que trabalhou muito tempo para os militares do Paquistão e a comunidade de inteligência do Afeganistão.

Os comandantes americanos no leste do Afeganistão afirmam ter matado ou capturado mais de 5 mil militantes no ano passado, mas os combatentes continuam a atravessar a fronteira do Paquistão para as províncias de Paktia, Paktika e Khost, no Afeganistão.

*Por Jane Perlez e Eric Schmitt

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