Escolas turcas oferecem ao Paquistão um islamismo mais moderado

KARACHI, Paquistão ¿ Rezar no Paquistão nunca foi uma tarefa fácil para Mesut Kacmaz, um professor muçulmano da Turquia.

The New York Times |

Ele tentou a mesquita próxima a sua casa, mas ela possuía bandeiras israelenses e dinamarquesas desenhadas no chão para que as pessoas pudessem pisar. Já a mesquita próxima a seu trabalho o alertou a nunca mais entrar no templo usando uma gravata. Paquistaneses por todos os lados acreditam que Kacmaz não seja um muçulmano por ele não ter barba.

Mortes, brigas, tiros, disse Kacmaz. Isto é uma interpretação equivocada do islamismo.

Mas esta visão é comum no Paquistão, terra de fronteira para o futuro do Islamismo, onde escolas, alimentadas com o capital saudita e norte-americano durante os anos 80, estimularam o radicalismo entre as parcelas mais pobres da sociedade. Com apenas 50% da população alfabetizada e um sistema de ensino público a beira do colapso, o país é um local particularmente vulnerável.

Kacmaz faz parte de um grupo de educadores turcos que vieram para a região com uma visão moderada e mais flexível do islamismo, que coexistem confortavelmente com o ocidente mesmo que distintos de tal ideologia. Eles promovem essa aproximação nas instituições de ensino, que agora estão estabelecidas em mais de 80 países, tanto cristãos quanto muçulmanos.

Seus esforços são importantes no Paquistão, país com forte poderio nuclear cuja estabilidade e vulnerabilidade ao fundamentalismo se tornaram as maiores preocupações das polícias internacionais dos Estados Unidos. Suas áreas tribais se tornaram refugio a membros da Al-Qaeda e Taleban, e a batalha contra o fundamentalismo depende dos jovens e da educação de cada cidadão.

Neste momento, os paquistaneses mais pobres não podem arcar com as despesas escolares de seus filhos; apesar das escolas serem gratuitas, elas exigem livros e uniformes. Algumas famílias optam por enviar seus filhos a escolas religiosas, que oferecem comida e roupas de graça. Muitos somente ensinam, mas outras possuem agendas radicais. Ao mesmo tempo, uma classe média crescente está a rejeitar escolas públicas, ambientes caóticos e pouco financiados, e optando por uma nova série de escolas privadas.

Escolas turcas, que expandiram seu domínio por sete cidades no Paquistão desde a abertura da primeira há uma década, não podem transformar o país sozinhas. No entanto, elas oferecem uma alternativa a tal aproximação que pode ajudar a reduzir a influência de extremistas islâmicos. Eles prescrevem um currículo ocidental forte, com cursos lecionados em inglês, de matemática e ciências, à literatura inglesa. Elas não ensinam religião além da única aula de islamismo, que é obrigatória pelas regras do Estado.

- SABRINA TAVERNISE

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