Escola construída sobre cemitério oferece valiosa lição de história

TOLEDO ¿ Enquanto esta cidade medieval cozinhava sob o sol vespertino, um grupo de líderes judaicos se reunia ao lado de um túmulo recém aberto no qual havia colocado antigos ossos. Com rezas e pedidos de desculpa por perturbarem a paz de mais de 100 almas medievais, eles os cobriram com a terra vermelha.

The New York Times |

NYT

Tumbas em uma das sinagogas medievais de Toledo

Refugiados próximo a cidade de Swabi ouvem discurso de A silenciosa cerimônia, no final de junho, concluiu meses de dedicadas negociações entre grupos judaicos e autoridades espanholas a respeito dos restos mortais de 103 judeus espanhóis, cujos túmulos foram descobertos no ano passado durante a construção de uma escola no subúrbio desta cidade histórica.

A exumação atraiu a condenação internacional de representantes judaicos e se tornou um importante cenário na batalha para a preservação de cemitérios judaicos em toda a Espanha, reminiscências de uma grande comunidade que fez de Toledo sua capital antes de ser expulsa pelos monarcas católicos em 1492.

A disputa coloca em confronto as exigências da sociedade moderna contra os direitos de um povo espalhado pelo mundo para quem um túmulo permanente é uma exigência religiosa.  Ela gerou atritos entre grupos espanhóis ansiosos por proteger sua herança mas divididos em como lidar com um governo secular.

"Toledo é muito importante para a história judaica", disse David Stoleru, cofundador do Centro de Estudos Zakhor de Barcelona, um grupo de pesquisas dedicado a preservar a herança judaica. "O Estado tem a obrigação de proteger este legado".

A controvérsia começou em setembro, quando construtores que escavavam uma nova fundação para a Escola Azarquiel High descobriram dezenas de túmulos, que acreditavam fazer parte de um cemitério judaico que datava do século 13.

NYT

David Stoleru anda por uma construção da escola
que ficará sobre o cemitério judeu

O governo de Castilla-La Mancha, região da qual Toledo é capital, interrompeu a construção e colocou os restos humanos em um museu enquanto aguardava um debate com a Federação de Comunidades Judaicas da Espanha, que representa mais de 40 mil judeus no país.

Os representantes judaicos sugeriram que a fundação fosse colocada acima dos túmulos mas isso encareceria a construção, de acordo com pessoas envolvidas nas negociações.

Maria Soledad Herrero, do departamento de cultura da região, disse que as autoridades teriam que equilibrar as necessidades históricas com aquela dos estudantes.

"Ninguém sabe mais sobre a importância da herança judaica na Espanha do que nós em Toledo", ela disse. "Mas não podemos colocar mil alunos na rua".

Conforme as negociações continuavam, a pressão econômica aumentou e as autoridades ordenaram o reinício das obras em fevereiro. Em meados de junho a fundação foi concluída e o esqueleto de um prédio de dois andares construído acima do cemitério.

Enquanto isso, protestos internacionais se espalharam por Nova York, Israel e Canadá. O rabino David Niederman, presidente das Organizações Judaicas Unidas de Williamsburg, visitou a Espanha para protestar contra a exumação, que ele disse ser uma espécie de segunda expulsão. Milhares de ortodoxos se reuniram em um hotel no Brooklyn para lamentar a violação.

Finalmente, no dia 18 de junho, ambos os lados concordaram em enterrar os restos perto do local original do cemitério mas longe da construção.

Dalia Levinsohn, secretária geral da Federação de Comunidades Judaicas da Espanha elogiou o acordo como a melhor solução disponível.

"Fizemos o que podíamos", ela disse. "Se não houvesse um compromisso, na próxima vez que alguém encontrar um cemitério soterrado não irão nos informar".


Leia mais sobre judeus

    Leia tudo sobre: cemitérioescolahistóriajudeus

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG