Escândalo de Illinois representa teste para equipe de Obama

WASHINGTON - Quando a representante Jan Schakowsky, democrata de Illinois, começou a explorar a possibilidade de ocupar a cadeira de Barack Obama no Senado dos Estados Unidos, ela ligou para Rahm Emanuel. Eles trabalharam juntos na Câmara e, mais importante, ele acabara de se tornar o chefe da equipe do novo presidente eleito.

The New York Times |

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Mas Emanuel foi estranhamente evasivo. Se Obama tinha algum favorito para o cargo, Emanuel não iria revelar. Para Schakowsky, ele parecia preocupado com o governador Rod R. Blagojevich, que faria a indicação. "Rahm sempre tem as informações", disse Schakowsky. "Neste caso, ele não tinha. Não estava claro para ele o que o governador iria fazer, ou pelo menos ele não compartilhou isso comigo".

Para a equipe de Obama nos dias depois de sua eleição, a questão sobre quem o substituiria no Senado era difícil. Com uma nova gestão para construir e a crise financeira piorando diariamente, Obama e seus consultores tinham assuntos mais importantes para lidar. Além disso, eles queriam manter distância de Blagojevich, que já estava sob investigação federal por possível corrupção. Mas muitos ainda assumiam que a voz de Obama seria importante caso ele optasse por interferir.


Em foto de abril, Blagojevich (E) aparece ao lado de Obama / Reuters

Exatamente qual o papel que ele ou sua equipe representaram no caso será objeto de grande escrutínio nas semanas que seguirão a prisão de Blagojevich, acusado de planejar vender o cargo. Neste sentido, o furor pode ser o primeiro teste da habilidade da equipe de Obama em lidar com o surgimento de um escândalo em uma era em que a investigação da mídia e a máquina partidária de ataques podem ampliar quase qualquer incidente e criar um sério problema político.

Obama disse na terça-feira que ele nunca falou com o governador sobre a cadeira e os promotores afirmaram que nem o presidente eleito nem seus consultores estão implicados no caso.

Mesmo se Obama permanecer intocado pela investigação, ela revela problemas de corrupção no ambiente político de seu Estado e chama atenção à agenda de mudança que ele quer enfatizar.

"Essa é uma enorme distração no pior momento possível", disse Lanny J. Davis, ex-conselheiro especial da Casa Branca que controlava danos como este na gestão do presidente Bill Clinton. "Definitivamente a melhor coisa é sair na frente e encerrar o assunto".

Obama se manteve longe do público na quarta-feira, pedindo a renúncia de Blagojevich através de um assessor e apenas depois que outros democratas fizeram o mesmo. Alguns de seus assessores receberam ordens de advogados da equipe de transição para que não comentassem o assunto. Mas Obama planeja realizar uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira sobre a saúde pública, durante a qual provavelmente será questionado sobre a investigação.

Por PETER BAKER e JEFF ZELENY

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