Escândalo com computadores doados evidencia corrupção no Iraque

Mais de 8 mil computadores, comprados para estudantes, ficaram parados na alfândega do porto Umm Qasr e desapareceram

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A remessa de laptops que chegou ao principal porto do Iraque em fevereiro era uma parte pequena mas importante da missão dos militares americanos em conquistar corações e mentes no país. O que aconteceu depois é um conto de boas intenções atingido pela realidade do Iraque.

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Porto de Umm Qasr, no Iraque, por onde chegaram os computadores


Os 8.080 computadores – no valor de US$ 1,8 milhões – foram comprados para estudantes de Babil, a Babilônia moderna, como presente dos contribuintes americanos. Só que ficaram parados durante meses na alfândega do porto Umm Qasr por causa da burocracia local e, então, desapareceram.

A corrupção é tão desenfreada no Iraque – e os esforços de reconstrução americanos tão envoltos em sua própria má gestão – que o destino dos computadores poderia ter terminado como uma anedota de uma tendência familiar e preocupante. O Iraque, afinal de contas, está acima apenas do Sudão, Mianmar, Afeganistão e Somália no índice de corrupção da Transparência Internacional.

Mas o comandante militar americano no sul do Iraque, o major general Vincent K. Brooks, ficou claramente furioso. Mesmo que os culpados não sejam exatamente conhecidos, as vítimas são as crianças iraquianas e os contribuintes americanos. Ele emitiu uma rara repreensão pública a um governo que os Estados Unidos esperam tratar como igual e parceiro estratégico – falho, talvez, mas cada vez melhor.

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Porto de Umm Qasr está na trama sobre o escândalo de corrupção envolvendo computadores doados por americanos
Paradeiro desconhecido

Os laptops chegaram em duas remessas, nos dias 20 e 23 de fevereiro. Os documentos de embarque originais erroneamente listaram seu destino como Umm Qasr e não Babil, o que causou confusão. Em abril, porém, os militares americanos localizaram os equipamentos e várias vezes tentaram liberá-los da alfândega para levá-los de caminhão a Babil.

Então, em agosto, os iraquianos leiloaram 4.200 dos computadores – por US$ 45.700. O paradeiro dos demais é desconhecido.
Pressionado por oficiais americanos e iraquianos de Babil, o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, ordenou uma investigação pela Comissão de Integridade, uma observadora independente cujas investigações levaram a confrontos entre o premiê e outros altos oficiais do país.

No início de setembro, os computadores leiloados foram recuperados, de acordo com autoridades iraquianas, que, no entanto, se recusaram a discutir como e onde.

Nova descoberta

Na semana passada houve uma outra espécie de descoberta. Autoridades iraquianas em Basra e Bagdá disseram que mandados de prisão haviam sido emitidos para 10 funcionários aduaneiros em Umm Qasr, todos de baixo escalão. Seis foram detidos. No entanto, os oficiais se recusaram a identificá-los. Também não foram tornadas públicas as acusações, deixando os detalhes do caso envoltos em mistério, como muitos fatos no Iraque.

"Nós ainda estamos investigando", disse um oficial da Comissão de Integridade. "Nós não podemos dar mais informações agora, mas em breve vocês receberão muitas informações sobre esse problema."

*Por Steven Lee Myers

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