Escalada do Everest por adolescente causa polêmica

Desejo de garoto de 13 anos de tornar-se a pessoa mais nova a chegar ao topo do mundo traz a dúvida: quão jovem é jovem demais?

The New York Times |

AP
O californiano Jordan Romero, de 13 anos, em Katmandu, Nepal
Para muitos meninos de 13 anos, a jornada da infância à vida adulta começa com seu primeiro emprego, fazer a barba pela primeira vez ou descobrir as meninas. Mas, para Jordan Romero, essa fase se revelou com a vontade de se tornar a pessoa mais jovem a chegar ao cume do Monte Everest.

No sábado de 15 de maio, ele saiu do acampamento base com seu pai, Paul Romero, e sua companheira e colega de corrida de aventura, Karen Lundgren. A tentativa de Jordan de escalar as montanhas mais altas de todos continentes, e especialmente o Monte Everest, durante o curto período da primavera, desatou debates.

Quão jovem é jovem demais? Um menino de 13 anos tem a maturidade física e emocional necessária para desafiar essa jornada às alturas?

Ainda assim, a equipe Jordan, de Big Bear, Califórnia, já escalou cinco dos Sete Cumes ao longo dos últimos três anos, começando com o Kilimanjaro (5.892 metros) na África, Elbrus (5.642) na Europa e Kosciusko (2.228) na Austrália.

Se Jordan chegar ao topo do Everest (8.848) e do Vinson Massif (4.897) na Antártica, obterá um êxito que apenas outras cerca de 200 pessoas conseguiram.

Eric Weihenmayer escalou os Sete Cumes e, em 2001, tornou-se o único cego a chegar ao topo do Everest. Ele está entre aqueles que questionam a sabedoria de permitir que um menino de 13 anos tente uma proeza tão árdua e perigosa.

"Minha primeira reação instintiva é que alguém de 13 anos parece jovem demais para ter a maturidade emocional necessária para optar por estar ali por si mesmo", disse. "Mas, quando decidi escalar o monte, muitos amigos e até mesmo meu herói, Ed Viesturs, disseram que eu retardaria a minha equipe, possivelmente causando a morte deles e a minha, portanto não vou acabar com os sonhos de ninguém."

Enquanto algumas pessoas da comunidade temem as consequências da altitude em crianças, não há provas suficientes de que um adolescente sofra mais riscos da chamada doença aguda da montanha (ou mal de soroche), uma condição fatal enfrentada por humanos em grandes altitudes.

"A declaração mais honesta a respeito de um menino de 13 anos escalar um monte de grande altitude é que não sabemos o que esperar", disse Mikhail Kazachkov, especialista em pneumologia pediátrica do Hospital Maimonides para Crianças e Bebês do Brooklyn.

"Contudo, a julgar pela estatura e peso de Jordan, e seu preparo físico e treinamento, podemos esperar que ele se saia tão bem quanto qualquer adulto no desafio ao Everest - mas estresse emocional é uma história completamente diferente."

Um estudo realizado pelo Instituto Nacional de Saúde Mental, utilizando ressonância magnética tridimensional para criar imagens do cérebro e mapear o desenvolvimento neurológico da infância à idade adulta, constatou que durante a adolescência o cérebro passa por um desenvolvimento dinâmico em áreas que afetam o autocontrole, os processos de decisão e comportamentos de risco.

"Jordan é um adolescente fisicamente forte que é como uma Ferrari inacabada - potência bruta, sem freio, luzes ou a capacidade de manter a pressão necessária no pedal da gasolina", disse Michael Bradley, psicólogo e autor de "When Things Get Crazy With Your Teen: The Why, the How and What to Do Now" (Quando as Coisas Saem do Controle com Seu Adolescente: o Porquê, o Como e o Que Fazer Agora, em tradução livre).

"A maioria dos jovens de 13 anos não tem a capacidade cognitiva de tomar decisões de vida e morte e não é capaz de entender completamente quais são os riscos do que está fazendo."

* Por STEFANI JACKENTHAL

    Leia tudo sobre: Everestescaladajovem

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG