Era digital demora a chegar a áreas rurais dos Estados Unidos

Em regiões agrícolas do país, como Coffeville, no Alabama, cerca de 40% dos lares não têm acesso à internet banda larga

The New York Times |

Depois de dois dias na região rural de Coffeville, no Alabama, fica difícil reclamar de uma ligação perdida no iPhone ou de um vídeo do Cee Lo que leva alguns segundos para carregar.

O gestor municipal não tem banda larga em sua casa. Nem o jornalista esportivo no The Times Thomasville. Em Coffeeville, muitos alunos só usam o computador no ensino médio.

Enquanto o mundo abraça a sua era digital – 2 bilhões de pessoas já utilizam a internet regularmente – a divisão entre duas Américas se torna ainda maior. Há aqueles que têm acesso à internet de confiança e rápido, e aqueles - como metade das 27,8 mil pessoas do condado de Clarke - que não o têm.

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Biblioteca pública de Thomasville é um dos únicos lugares do condado de Clarke, na zona rural dos EUA, com internet wireless disponível
Na América rural, apenas 60% dos lares têm acesso de banda larga à Internet, segundo um relatório divulgado na quinta-feira pelo Departamento do Comércio. Isso é 10% menos do que as famílias urbanas. No total, 28% dos americanos não usam internet.

O relatório foi desenvolvido em conjunto com um mapa da banda larga nacional, que também foi lançado na semana passada. O mapa, considerado o mais detalhado do tipo, busca mostrar uma série de discrepâncias na qualidade e disponibilidade de acesso à banda larga entre as comunidades rurais e urbanas.

"É como a eletricidade antigamente", disse Brian Depew, assistente de direção executiva do Centro para Assuntos Rurais, um grupo de pesquisa sem fins lucrativos, em Lyon, Nebraska. "O acesso à internet é algo fundamental”.

Conexão

Cada vez mais, interagir com certos ramos do governo só pode ser feito online. E, em caso de emergência, a falta de conexão pode ter consequências graves. Alertas de emergência sobre o mau tempo, por exemplo, são frequentemente enviados somente por meio de mensagens de texto ou email.

Tudo isso é importante, sem dúvida. Mas também há um componente social para o acesso a uma boa internet. No condado de Clarke, onde igrejas e lojas de produtos para empalhamento de animais se enfileiram lado a lado nas principais ruas e motoristas aprendem desde cedo a se esquivar de caminhões transportando madeira, a maioria das pessoas simplesmente gostaria de publicar fotos de seus filhos no Facebook.

"Noventa e cinco por cento das pessoas que querem acesso público à água tratada nesse condado conseguem obtê-lo, mas as pessoas não podem sequer falar umas com as outras por aqui", disse Sharon Jones, 60 anos, dona de uma pequena empresa madeireira que vive com o marido em Coffeeville. "É preciso um grande esforço para conseguir o que alguém pode fazer em questão de cinco minutos na cidade", disse ela.

*Por Kim Severson

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