Equipe resgata arte dos escombros do Haiti

Iniciativa representa novo modelo de diplomacia cultural dos EUA, que contrasta com a apatia durante a pilhagem no Iraque, em 2003

The New York Times |

Susana Blakney, uma pintora de Nova York especializada em conservação, vasculhava o monte de escombros da Catedral Episcopal Santa Trindade da capital do Haiti, Porto Príncipe, em busca de pequenos pedaços dos murais da igreja.

A catedral é uma estimada parte do patrimônio cultural do país caribenho e muitos de seus murais foram destruídos pelo terremoto que atingiu o país em janeiro. No entanto, dois deles que ficavam na fachada norte, um representando a Última Ceia e o outro o batismo de Cristo, mantiveram-se quase intactos.

"Tudo indica que há alguns pedaços aqui embaixo", disse Susana, de 62 anos, aos colegas que trabalhavam com ela em 6 de maio em um esforço para salvar milhares de obras de arte danificadas pelo terremoto.

O resgate foi organizado pelo Instituto Smithsonian, que abrirá um centro aqui em junho no qual especialistas americanos trabalharão lado a lado com membros de uma equipe haitiana para reparar pinturas, esculturas e outras obras de arte encontradas nos escombros de museus e igrejas.

Artistas haitianos e profissionais culturais têm conduzido operações informais de salvamento nos últimos quatro meses. Mas os americanos estão trazendo especialistas em conservação - existem poucos profissionais treinados na conservação artística no Haiti - e o equipamento necessário, geralmente pagos com investimentos privados.

Por causa de sua agilidade, sua estreita colaboração com um governo estrangeiro e a combinação de recursos privados e financiamento público, a iniciativa representa um novo modelo de diplomacia cultural americana que os organizadores acreditam contrastar com a apatia que os americanos foram acusados de demonstrar durante a pilhagem de tesouros artísticos do Iraque em 2003.

O financiamento inicial veio de três agências federais e da Liga da Broadway, um grupo comercial formado por donos de teatros e produtores.

Funcionários do Smithsonian dizem que o projeto vai custar entre US$ 2 milhões e $3 milhões ao longo do próximo ano, quando o centro será entregue ao governo do Haiti.

Susana veio ao país na semana passada com dois outros especialistas, um curador de museu, e um grupo de engenheiros e especialistas em planejamento do Smithsonian.

A tarefa dos especialistas em conservação é avaliar precisamente que tipos de danos a arte sofreu, não apenas do terremoto, mas de sua exposição posterior à chuva e sol, além da armazenagem inadequada antes e depois do desastre.

Com base nessa informação, eles decidirão quais equipamentos o time de restauração do Smithsonian precisará usar. A equipe americana passará parte de seu tempo treinando os haitianos na preparação e conservação de obras de arte para quando o laboratório for passado para eles.

*Por KATE TAYLOR

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