Equipe médica ajudou em interrogatórios abusivos da CIA, diz relatório

WASHINGTON - Equipes médicas estiveram profundamente envolvidas no interrogatório abusivo de suspeitos de terrorismo detidos pela CIA no exterior, inclusive em tortura, e sua participação foi uma grande ruptura com a ética médica, concluiu um relatório do Comitê Internacional da Cruz Vermelha.

The New York Times |

Com base nas declarações de 14 prisioneiros que pertenciam à Al-Qaeda e foram levados à Guantánamo, Cuba, no final de 2006, os investigadores da Cruz Vermelha concluíram que equipes médicas trabalhavam para a CIA monitorando prisioneiros que eram subjugados ao procedimento de afogamento aparentemente para garantir que não se afogassem.

As equipes médicas também estavam presentes quando os guardas confinaram prisioneiros em pequenas caixas, acorrentaram seus braços ao teto, mantiveram-nos em celas congeladas e os jogaram contra as paredes repetidas vezes, afirma o relatório.


Manifestantes fazem protesto contra práticas de tortura nos EUA / Getty Images

Facilitar tais práticas, que a Cruz Vermelha descreve como tortura, é uma violação da ética médica mesmo se a intenção dos funcionários tenha sido evitar a morte ou um ferimento permanente dos detentos, alega o relatório. Mas foi descoberto que o papel dos profissionais médicos era primordialmente apoiar os interrogadores, não proteger os prisioneiros, e que eles "colaboraram e participaram do tratamento ruim".

Algumas vezes, de acordo com os relatos dos detentos, os profissionais médicos "davam instruções aos interrogadores para que continuassem, ajustassem ou parassem um determinado método".

O relatório da Cruz Vermelha foi concluído em 2007, mas obtido pelo jornalista Mark Danner, que escreveu extensivamente sobre a tortura, apenas na noite de segunda-feira e publicado em um artigo no site The New York Review of Books .

O relatório não indica se as equipes médicas a trabalho da CIA eram compostas por médicos, outros profissionais ou ambos.

Mark Mansfield, porta-voz da CIA, disse que por causa da política de confidencialidade da Cruz Vermelha, ele não irá comentar sobre o relatório.

Ele notou que o presidente Barack Obama proibiu todos os interrogadores governamentais de usarem qualquer técnica que não esteja estabelecida no Manual de Campo do Exército, e que o novo diretor da CIA, Leon E. Panetta, "tomou medidas decisivas para garantir que a CIA obedeça as ordens do presidente".

Em seu relatório de 40 páginas, a Cruz Vermelha também oferece novos detalhes sobre o fracasso da gestão Bush em cooperar durante anos com as investigações da Cruz Vermelha nos programas de detenção americanos. Inúmeras investigações e pedidos de informações da organização desde 2002 não receberam resposta dos oficiais americanos, afirma o relatório, apesar dos Estados Unidos terem enviado uma mensagem diplomática para lidar com a questão em 2005.

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